OPINIÃO
01/10/2014 18:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Como tirar fotos nua ajudou a superar minhas questões de imagem corporal

Beth Sanders

NOTA: Este artigo contém nudez e pode não ser adequado para o ambiente de trabalho.

Três anos atrás, eu e meu corpo de 46 anos posamos para nus artísticos. Estava infeliz por ter ganhado 8 quilos depois de ter filhos e queria saber se tinha sobrado alguma beleza em mim.

Este foi o resultado:


Aos 26, ela achava que seus seios eram muito pequenos. Agora, aos 46, ela acha que sua barriga está muito grande.

Aos 26, ela achava que tinha celulite no bumbum. Aos 46, ela pensa a mesma coisa.

Aos 26, ela queria uma lipo nas coxas. Aos 46, ela quer lipo no quadril e na barriga.

Aos 26, ela queria amar o próprio corpo. Aos 46, ela ama aquela menina de corpo miúdo aos 26 anos.

Em 20 anos, quando ela tiver 66, ela vai amar este velho corpo cheio de curvas e saudável de 46 anos.

Ame seu corpo agora.

Fiquei tão feliz com as fotos que comecei o projeto Love Your Body Now: Healing Body Image Issues Through Fine Art Nudes ("Ame seu corpo agora: curando as questões de imagem corporal através de nus artísticos", em tradução livre), com a fotógrafa Beth Sanders e a coach Marle Zaleznick.

Nossa primeira participante foi Claire, uma vendedora de Dallas. Quando perguntei por que ela queria fazer parte do projeto, ela respondeu:

"Não coloco nada no meu corpo antes de um diálogo mental. Será que eu deveria tomar uma segunda xícara de café? Porque ela tem cafeína. Será que deveria tomar água em vez do café? Posso comer outra tangerina ou vai ser açúcar demais? Estou tentando perder de 8 a 15 quilos desde a faculdade, e o esforço e a exaustão das coisas que digo para mim mesma são enlouquecedores."

Claire diz que sua vida pessoal nunca foi melhor. Ela recentemente se casou com um homem que a adora, sua carreira está na ascendente e ela tem uma relação maravilhosa com seus filhos adolescentes.

Mas, diz ela, "a imagem que tinha do meu corpo era um problema que não me deixava dormir tranquila".

No último ano, a sensação negativa a respeito de si mesma só piorou com a morte do seu pai, diz Claire. Ela diz que gostaria de enterrar a má imagem que tem de si mesma junto com seu pai.

"Você é tipo um minitanque", ouviu Claire de seu pai quando tinha 8 anos.

"As palavras dele me confundiram", diz ela. "Eu não era uma menina gordinha. De jeito nenhum. Conhecia umas meninas na escola que estavam acima do peso, e eu não estava acima do peso... Tinha uma barriguinha como todas as outras meninas."

Quando pergunto como as palavras do pai a afetaram, Claire responde: "A partir daquele momento, me tornei uma pessoa acanhada e passei a achar que alguma coisa estava errada comigo. Estava plantada a semente da ideia de que eu era gorda."


Foto de Beth Sanders

Na puberdade, Claire chegou perto dos 45 quilos e começou a se preocupar se passaria daquele peso. A preocupação aumentou quando uma colega das aulas de dança notou que suas coxas se tocavam quando ela juntava as pernas.

Na época do ensino médio, Claire disse que as meninas de sua idade comparavam o peso na balança, especialmente as que faziam aula de dança. "Havia muitas comparações. Quem estava magra e quem estava engordando. Então eu almoçava uma maçã e um refrigerante diet. Não queria que me vissem comendo nada muito substancial."

Ao mesmo tempo, seu pai, um corredor contumaz, sugeriu que ela, a mãe e ele próprio ficassem mais "esbeltos", com uma dieta de 1000 calorias ou menos por dia.

Claire não acha que seu pai se desse conta de que seus comentários supostamente inócuos sobre "entrar em forma juntos" pudessem ser destrutivos.

Não demorou para que ela passasse dos regimes aos comprimidos para suprimir o apetite e aos diuréticos, apesar de ter evitado a anorexia e a bulimia.

"Não gostava de forçar o vômito, o que era meio moda na época. Alguma coisa, um leme interno, me dizia: 'Pare e pense, você não quer ser anoréxica como as meninas das aulas de dança'."

As coisas não melhoraram quando ela se casou e teve filhos.

"No meu primeiro casamento, que durou 18 anos, eu sofria para ficar nua. Especialmente nos anos em que dei à luz, quando meu único propósito era servir minhas crianças, sustentá-las. Minha sexualidade desapareceu e eu me repudiava pelo que aconteceu com o meu corpo (depois dos filhos). Mesmo quando estava magra e musculosa, só olhava para as coisas que estavam erradas."

Curiosamente, foi seu segundo casamento, com "um homem extremamente amável e consciente", que a levou a participar do nosso projeto.

Na lua-de-mel, Claire e o marido decidiram fazer um plano de dez anos. O que queremos fazer este ano? Quem sou, e o que quero? Quem é você, e o que você quer? Claire percebeu que queria superar as questões ligadas à sua imagem corporal, não só por ela, mas também pelo marido. Isso a levou ao estúdio de Beth para a sessão de fotos.

Sabendo que Claire tinha estudado dança, Beth e Marlene a incentivaram a usar o corpo como uma dançarina, o que instantaneamente deixou Claire à vontade.

"A dança é um refúgio. Não estou pensando no meu corpo. Sou gorda? Minha fantasia está correta? Quando piso no palco, tudo isso some. A dança cria uma fronteira. Para que eu fosse capaz de fazer algo tão vulnerável (como ser fotografada nua), tinha de procurar esse refúgio de autoaceitação."


Foto de Beth Sanders

Claire diz que a dança da sessão de fotos foi uma "celebração" e um processo de "luto".


Foto de Beth Sanders

A certa altura da sessão de duas horas e meia, Beth e Marlene colocaram tijolos nas costas de Claire para que ela sentisse fisicamente o peso da imagem corporal.

Beth fez fotos de Claire com os tijolos e depois pediu que ela chacoalhasse o corpo para tirá-los das costas. Claire diz que a sensação dos tijolos caindo foi uma revelação e a ajudou a ser vista e apoiada numa situação de tanta vulnerabilidade.

Mais tarde, ao ver as fotos, ela disse:

"Oitenta porcento (de mim) aceitou o que viu. Eu estava olhando (as fotos) de um ponto de vista artístico... ver a genialidade (de Beth) me emocionou. Marlene estava em sintonia perfeita para enxergar a energia e a essência que eu trazia (para as fotos). Ela conseguiu tirar o melhor de mim. Meu rosto mostra uma sensação de paz e libertação, e foi exatamente o que aconteceu comigo (no processo)."

Claire admite que 20% dela percebeu "a flacidez na barriga... Nunca tive barriga seca, nem quando fazia exercícios."

Ela voltou àquela menina de oito anos que tinha barriguinha. "A barriga, que causou todo o problema da imagem corporal. Fiquei um pouco decepcionada com essa parte."

Claire quer poder se sentar e ter uma barriga flácida. Sentir que aquela é a "parte mulher" do seu corpo: "A questão é... como minha história pode ajudar uma menina a se enxergar de maneira diferente, a mudar o diálogo interno que temos consigo mesmos?" Ela espera que "possamos começar a criar uma cultura sem julgar o corpo e as formas do outro".

Originalmente, a ideia do projeto era curar os problemas de imagem corporal dos participantes. Mas, ao olhar as fotos de Claire, percebi que elas estava me curando e que podem ter o mesmo efeito para alguns de vocês.

Porque muitos de nós somos parecidas com ela.

Temos a idade dela (48). Temos o tamanho dela (1,60 m, 70 kg). Temos dificuldade de aceitar elogios. Temos dificuldade de simplesmente dizer "obrigada". Quando nos dizem que somos lindas, não acreditamos.

Nossa esperança é que você deixe abaixo comentários gentis para Claire. Gosto da graça e da força do corpo dela. Os braços expressivos, as curvas macias e arredondadas de mulher, com os músculos fortes de uma dançarina.


Foto de Beth Sanders

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