OPINIÃO
11/08/2014 15:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Sobre o Iraque

Com passagens por times como o Corinthians, Juventus e CSA de Alagoas, Lorival é um estudioso de táticas e passou a última temporada à frente do Al Shorta, do Iraque.

Reprodução

A ofensiva recente dos insurgentes e a possibilidade do Iraque mergulhar em uma guerra civil é mais um problema no Oriente Médio, que já sofre com o conflito em Gaza.

Ainda mais agora, o sinal verde de Barack Obama para os primeiros bombardeios (e enquanto escrevo isso, corro o risco dos fatos desatualizarem meu post).

O mapa do Iraque moderno foi desenhado nas mesas da diplomacia da Grã-Bretanha, responsável pela administração dos territórios da Mesopotâmia e da Palestina - sobras do Império Otomano esfacelado, logo depois da Primeira Guerra Mundial. A queixa é de que os britânicos não levaram em conta fronteiras naturais e particularidades étnicas ao estabelecer o novo país, e talvez por isso mesmo o Iraque nunca tenha vivido estabilidade política até hoje: revoltas, disputas sangrentas pelo poder, a ditadura de Saddam Hussein, guerra com o vizinho Irã, a invasão ao Kuwait e a consequente intervenção americana, o embargo econômico por conta desta invasão, o drama do povo curdo...

A escalada atual da violência prejudica até mesmo uma das paixões do iraquiano: o futebol. O país não sedia competições internacionais e mandou seus jogos pelas eliminatórias da Copa 2014 no Qatar.

O técnico brasileiro Lorival Santos passou a última temporada à frente do Al Shorta, time em que se sagrou campeão nacional.

Com passagens por times como o Corinthians, Juventus e CSA de Alagoas, Lorival é um estudioso de táticas, com 4 livros publicados - o último, justamente sobre sua experiência no Iraque.

Ele conta um pouco do que passou: chegou em Anatólia, Turquia, em outubro do ano passado para iniciar os trabalhos. Apenas 13 jogadores o esperavam, número insuficiente para a pré-temporada.

Com a ajuda da comissão técnica e de um tradutor (Lorival não fala árabe e poucos do elenco falam inglês), encontrou nos exercícios táticos a linguagem adequada para o desempenho adequado de cada atleta.

O time evoluiu. Chegou ao título, com 68% de aproveitamento e bateu uma marca: venceu os cinco clássicos iraquianos. Mas Lorival sentia os jogadores muito ansiosos e tensos, principalmente durante as partidas, e supõe que isto seja uma consequência da situação conturbada do país.

Ele mesmo diz que, por temor de sequestros ou atentados, passava do CT do hotel e do hotel para o CT, com a segurança a cargo de três homens, comandados por um general e que neste trajeto tinha que passar por seis barreiras, sempre se identificando.

Com a piora da situação iraquiana, ele atendeu aos apelos da família: após o término do campeonato, não renovou contrato e voltou para o Brasil. Mesmo assim ressalta a contagiante paixão da torcida, e agradece a "atenção e o apreço de um povo de coração nobre e muita religiosidade."

O Iraque só disputou uma Copa, em 1986, no México, em que foi eliminado na fase de grupos, com 3 derrotas. Atualmente ocupa a 89ª posição no ranking da Fifa.

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