OPINIÃO
05/09/2014 13:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

35 anos de um clássico

Cerca de 3 horas e meia de tiros, bombardeios, tensão, cenas espetaculares como a dos helicópteros bombardeando uma aldeia ao som de Richard Wagner, porque para um militar surfista na praia tem ondas ótimas.

Reprodução/Youtube

Adoro o cheiro de napalm pela manhã...

O horror... O horror...

Há 35 anos estas duas frases são repetidas, lembradas, citadas e ouvidas à exaustão pelos cinéfilos. "Apocalypse Now", obra-prima de Francis Ford Coppola, foi lançado em outubro de 1979.

O ponto de partida é o romance "Coração das Trevas", de Joseph Conrad. Coppola transpôs para a Guerra do Vietnã a missão do capitão Willard (Martin Sheen): caçar um certo coronel Kurtz - interpretação antológica de Marlon Brando, que teria enlouquecido durante o conflito, e passou a comandar, como um Messias, um exército de renegados, mergulhado nas matas do Cambodja.

O capitão Willard testemunha o non-sense da guerra, e ele próprio passa a questionar sua missão e também a se transformar, tendo talvez na figura disforme de Kurtz o espelho de uma humanidade capaz de criar um texto literário brilhante, como o discurso final do coronel, enquanto comete as maiores atrocidades possíveis.

Filme em todo grandioso: cerca de 3 horas e meia de tiros, bombardeios, tensão, cenas espetaculares como a dos helicópteros bombardeando uma aldeia ao som de Richard Wagner, porque para um militar surfista (Robert Duvall) na praia tem ondas ótimas; e principalmente o caos, que atingiu também os bastidores da produção, nas Filipinas. Um tufão arrasou os sets de filmagem; Martin Sheen sofreu um infarto; estouro no orçamento que deixou combalidas as finanças do estúdio Zoetrope entre outras crises, retratadas no documentário "O Apocalipse de Um Cineasta".

Mas valeu a pena. 35 anos depois, "Apocalypse Now" figura nas listas dos maiores filmes de todos os tempos; assisti-lo continua sendo uma experiência única, de um magnífico diretor no auge de uma inconsequente - e exuberante - genialidade.

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