Opinião

3 coisas que transformaram minha amamentação em um inferno

De maneira interessante, minhas experiências de amamentação foram tais que hoje, como uma enfermeira pós-parto profissional, minha prática se concentra em enfatizar as coisas que eu gostaria de ter sabido na época

De maneira interessante, minhas experiências de amamentação foram tais que hoje, como uma enfermeira pós-parto profissional, minha prática se concentra em enfatizar as coisas que eu gostaria de ter sabido na época -- coisas que não apenas arruinaram minhas possíveis lindas lembranças como me faziam piscar toda vez que ouvia o choro faminto da minha filha.

1. Surpresa, surpresa -- alguns bebês não precisam esperar as habituais duas ou três horas entre as mamadas. Minha lembrança de meu primeiro bebê, 18 anos atrás, é a de um filhote de passarinho com o bico constantemente escancarado à espera de um inseto. Eu tive muitas amigas que amamentaram seus filhos, mas ninguém tinha me avisado que era uma atividade que durava... bem, para sempre.

Isto é o que eu digo às mães que amamentam hoje, e que eu gostaria de ter sabido 18 anos atrás: ao nascer, o bebê tem um estômago do tamanho de uma moeda. Os bebês que mamam no peito, ao contrário dos que são alimentados com mamadeira, não têm seus estômagos distendidos pela ingestão de quantidades maiores de leite e preparados especiais.

Embora muitas novas mães se preocupem que seus filhos "não estão recebendo leite suficiente" ou estejam convencidas de que elas "não têm leite" durante os primeiros dias, não é preciso muito colostro para encher aquele pequeno estômago. No entanto, o colostro é digerido mais rapidamente que o leite em pó, e por isso alguns bebês querem mamar com mais frequência... ou, no meu caso, sempre.

Eu lhes digo: "Fiquem firmes. Seu bebê está fazendo o que ele ou ela deve fazer. Eu entendo que é muito trabalho para vocês, mas imaginem como é cansativo para ele ou ela ter de sugar constantemente. Experimente deitar de lado, experimente qualquer posição que lhe permita fechar os olhos por um momento enquanto alguém a supervisiona. Mas continuem fazendo o que vocês fazem".

2. Depois do nascimento do meu quarto filho, amamentar fazia meus mamilos inchar, sangrar e inflamar. Ao oferecer meu mamilo à criança, meus dedos dos pés se crispavam e lágrimas escorriam. Embora, graças a Deus, esta criança mamasse de duas em duas horas, quando o horário se aproximava eu aplicava meu creme de lanolina, mantinha a caixa de lenços de papel perto, pegava meu pequeno aspirador e chorava durante suas mamadas nas primeiras duas semanas, até que meus mamilos finalmente endureceram e, como a palma das minhas mãos tinha formado calos dos pesos que eu levantava na academia, meus seios também formaram.

Quando eu contava meu sofrimento inicial às enfermeiras do pavilhão pós-parto onde eu era paciente, à enfermeira de saúde pública e a outras mães, o consenso era que eu devia estar fazendo alguma coisa errada. "Amamentar não deve doer", era o mantra repetido pelas gurus da amamentação. Muitas tentavam me reensinar a dar o seio. Mas esse era meu quarto filho. Eu tinha amamentado outros três e sabia a diferença entre um bom e um mau encaixe. Por isso, embora fosse grata pelo apoio moral, ainda estou convencida de que meu filho tinha uma sugada poderosa e eu simplesmente tinha mamilos sensíveis.

Mas o que eu digo para as mães quando vejo aquele olhar tenso conhecido em seus rostos e seus ombros subirem até suas orelhas, e eu sei que seu bebê realmente tem um bom encaixe, eu enfatizo: "Continue usando seu creme de lanolina e infelizmente levará alguns dias para que seus mamilos endureçam". Mas basicamente alguns bebês simplesmente sugam mais forte que outros. E as mães com mais experiência em amamentar vão concordar que elas podem não ter experimentado isso com seus outros filhos que amamentaram, mas reconhecem que desta vez a amamentação vai doer durante algum tempo.

3. Meu terceiro bebê foi uma joia. Ela dormia horas seguidas, e quando acordava se contentava em olhar ao redor calmamente. Era muito diferente de meus dois meninos, que berravam por sua refeição no segundo em que despertavam. Em consequência, as mamadas dela eram mais espaçadas, e como seu peso nunca foi uma preocupação nem o pediatra nem a enfermeira da saúde pública pensaram em perguntar como ia a amamentação.

Quinze anos atrás, as enfermeiras pós-parto não lhe diziam para acordar seu filho a cada três horas para ajudá-la a trazer seu suprimento de leite. Mas com esse bebê eu percebi que meus seios não inchavam ou ficavam tão redondos como tinham ficado com os meninos. Eu não vazava. E honestamente não me lembro de ter usado absorventes para os seios. Quando minha filha tinha dois meses, eu mal conseguia espremer algumas gotas.

Algumas mães que tiveram problemas com a produção de leite com seus filhos anteriores ficam hesitantes em tentar amamentar. Isto é o que eu tenho de dizer a elas: "Hoje existem ervas e drogas para ajudar seu corpo a produzir leite".

Eu conheci mães que não podiam produzir colostro no segundo dia após o parto. Depois da chegada de Domperidone, podemos escutar seu bebê engolindo. Às vezes a recuperação de uma cesariana ou um parto mais traumático para a mãe e o bebê pode desacelerar ou afetar a produção de leite.

Seja qual for o motivo, se eu soubesse da possibilidade de remédios e ervas para ajudar a produzir meu leite com qualquer dos meus filhos minhas experiências não teriam usado tantas fórmulas especiais para bebês nem a mamadeira.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS BEBÊS NO BRASIL POST

Estes bebês foram surpreendidos