OPINIÃO
01/10/2014 13:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

5 habilidades de mídia social que os "millenials" não têm

Getty Images

Eles são a geração criada no Facebook. Alguns não conheceram o mundo sem a internet. Os detalhes mais íntimos de suas vidas foram exaustivamente mostrados no Instagram e eles recebem as notícias pelo Twitter, e não pela TV.

Mas, quando se trata de usar a mídia social no local de trabalho, os "millenials" -- a geração nascida entre 1980 e 2000 -- podem estar surpreendentemente, e até perigosamente, despreparados. "O fato de alguém crescer sendo um nativo em mídia social não o torna um especialista em usar a mídia social no trabalho", diz William Ward, professor de mídia social na Escola de Comunicações Públicas S. I. Newhouse, da Universidade de Syracuse. "É como dizer que como eu cresci com uma máquina de fax isso me torna um especialista em negócios."

Segundo Ward, que tem 14.700 seguidores no Twitter e dá uma série de cursos populares de mídia social na universidade, os millenials são carentes em diversas áreas críticas. Enquanto eles são muito bons em conectar-se com pessoas que já conhecem, muitas vezes deixam de compreender as oportunidades e armadilhas profissionais representadas por redes como Twitter, Facebook, LinkedIn e Instagram.

"As empresas contratam os millenials porque pensam que eles são bons em mídia social. Depois os chefes descobrem que eles não têm essas habilidades e ficam frustrados", diz Ward, notando que as expectativas de mídia social muitas vezes são mais altas para os millenials do que para trabalhadores mais velhos que podem ser igualmente ineptos.

Para estudantes e recém-formados que entram na força de trabalho, um pouco de mídia social realmente é necessário. Em particular, os millenials preocupados com a carreira precisam desesperadamente entender estas cinco técnicas de mídia social:

Saber quando apertar o botão: recentemente, a Business Insider chamou atenção por demitir seu CTO, Pax Dickinson, por causa de comentários que ele fez em sua conta pessoal no Twitter. Enquanto os tuítes de Dickinson sobre mulheres e minorias eram especialmente ofensivos, a situação sugere uma questão maior. Os millenials às vezes deixam de perceber que os perfis pessoais podem ter repercussões profissionais. Twitter, Facebook e outras redes são plataformas principalmente públicas; os comentários feitos podem chegar -- e muitas vezes chegam -- aos chefes. Como demonstra o caso de Dickinson, poucos empregadores desejam ser associados a conteúdo de mau gosto ou ofensivo, mesmo que sua intenção seja uma brincadeira.

Usar a mídia social para realmente poupar tempo: segundo uma pesquisa da Salary.com em 2013, o site pessoal mais frequentemente visitado no trabalho é o -- você adivinhou -- Facebook. Enquanto as redes proliferam -- e os empregados millenials não apenas verificam o Facebook, mas publicam no Twitter, percorrem o Instagram e mais --, a mídia social tem o potencial de ser uma enorme perda de tempo. Mas também pode poupar tempo no escritório. Um relatório recente da McKinsey nota que a mídia social tem o potencial de economizar para as empresas US$ 1,3 trilhão, principalmente devido a aperfeiçoamentos na colaboração no escritório. As redes sociais internas como Yammer permitem que os empregados formem grupos de trabalho virtuais e se comuniquem em painéis de mensagens. Em vez de intermináveis e-mails de ida e volta, os colegas de trabalho podem publicar e responder em fluxos continuamente atualizados. Nada disso é revolucionário, mas os millenials muitas vezes ainda estão no escuro sobre as maneiras como inovações do tipo Facebook estão sendo levadas para trás do firewall.

Aprender a decifrar os números: enquanto os millenials muitas vezes têm uma compreensão intuitiva do que repercute nos canais sociais (é difícil enganar-se com animações de gatos), quantificar o que funciona e o que não é outra questão. O sucesso de uma campanha do Twitter deve ser medido com base em retuítes, menções, respostas, tráfego de referência ou pistas de vendas? Quais são os melhores momentos do dia para publicar no Facebook e qual é a frequência ideal de postagem? Que instrumentos analíticos são melhores para decifrar os números? Enquanto a mídia social tem a ver com autêntica interação humana, também é uma arena onde os dados podem ser facilmente coletados e aplicados para melhorar os resultados. Saber que dados procurar, onde encontrá-los e o que fazer com eles separa os verdadeiros especialistas dos meros nativos sociais.

Dominar a confusão multirrede: uma coisa é ser um guru do Twitter ou ter um enorme seguimento no LinkedIn. O verdadeiro talento está em orquestrar diferentes plataformas para trabalhar juntas e compreender o nicho que cada uma ocupa. As redes visuais como Instagram e YouTube, por exemplo, são cada vez mais a base de campanhas de marcas antenadas no social como Nike, Red Bull e Mercedes. Imagens e vídeos atraentes, por sua vez, são semeados em redes tradicionais baseadas em texto, como Twitter e Facebook. A partir daí, links levam os espectadores de volta para blogs e páginas de empresas, enviando os clientes em espiral cada vez mais profunda para o funil das vendas. Enquanto isso, hashtags uniformes em várias plataformas ajudam a unificar e a rastrear a campanha total. Até os millenials com profundas credenciais sociais muitas vezes deixam de compreender os profundos efeitos multiplicadores da integração de diferentes redes.

Redes profissionais na mídia social: quando os millenials se formam na faculdade, muitos preenchem cuidadosamente seus perfis no LinkedIn com cargos temporários, estágios, realizações acadêmicas e extracurriculares. Mas o verdadeiro poder de encontrar empregos da rede muitas vezes é desprezado: os gerentes e diretores que contratam, que normalmente estariam fora de alcance, muitas vezes estão a apenas uma ou duas conexões de distância. Na verdade, você não precisa estar conectado. Um elemento pago chamado InMail, por exemplo, permite que os usuários enviem e-mails diretamente para qualquer um dos 277 milhões de membros do LinkedIn. Buscadores de empregos realmente empreendedores podem caçar peixes grandes como Richard Branson, Bill Gates e Deepak Chopra, depois enviar um a proposta diretamente para sua caixa postal. Os millenials notoriamente liberais -- sempre em busca da próxima oportunidade de emprego -- poderiam levar a sério esta dica quando buscarem pastagens profissionais mais verdes.

É claro, reunir essas habilidades não é fácil, e os millenials não são os únicos que erram. "O verdadeiro problema é que esperamos que as pessoas saibam essas técnicas sem fornecer qualquer treinamento", disse o professor de mídia social Ward. Conforme o número de redes sociais aumenta e as plataformas são usadas de maneiras mais sofisticadas, é irracional esperar que alguém -- até os usuários mais conectados -- apenas entendam isso intuitivamente.

Mas há opções para millenials que esperam aperfeiçoar suas técnicas de mídia social. "Existem muitos programas de treinamento online", explica Ward, "mas alguns são melhores que outros." Ele adverte os alunos para preferirem programas que ofereçam certificados reconhecidos na indústria, como a oferta mais amplamente utilizada, HootSuite University, que teve 50 mil pessoas matriculadas desde que começou, em 2011, e também é usada em 400 programas de educação superior.

Para os millenials que competem em um mercado apertado, essas técnicas -- inéditas apenas uma década atrás -- podem significar a diferença para encontrar e manter um emprego. "Os estudantes que usam mídia digital e social profissionalmente de uma maneira integrada e estratégica... levam vantagem", diz Ward. "[Eles] conseguem melhores empregos e melhores estágios..."

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