OPINIÃO
03/02/2014 18:30 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

O governo brasileiro acertou na cautela

As relações entre os dois maiores países do continente -- Brasil e EUA -- encontram-se em um dos momentos mais difíceis no campo político e diplomático das últimas décadas. Não será fácil trazê-las de volta ao normal.

A divulgação dos documentos sigilosos sobre espionagem levada a efeito inclusive em países e em lideres aliados, causou forte reação do governo brasileiro, a exemplo de outros países, como era natural. Ângela Merkel e Dilma Rousseff reagiram adequadamente quando protestaram de forma vigorosa e até hoje não foi encontrada uma fórmula satisfatória para salvar a face de todos e encerrar o assunto.

Snowden divulgou recentemente carta acenando com a possibilidade de se asilar no Brasil e cooperar com o Congresso brasileiro na apuração das ações ilegais de escuta no governo, em empresas públicas e em autoridades nacionais. Alguns setores da academia e do governo brasileiro conhecidos por suas tendências ideológicas certamente gostariam que o aceno fosse aceito. O governo brasileiro, contudo, agiu corretamente ao fazer prevalecer uma atitude cautelosa na resposta pública a carta de Snowden para evitar uma deterioração ainda maior nos contatos bilaterais.

Caso tivesse sido aceita a sugestão de asilo, o que o Brasil ganharia, além da satisfação dos que defendem um tratamento ideológico na relação com os EUA? Haveria um grande mal estar entre os dois países e o Brasil passaria a estar no centro da polêmica global contra a forma de os EUA atuarem através da NSA. Não vejo os ganhos para o Brasil de se envolver nesse imbróglio, até porque a Rússia estendeu o período de asilo para Snowden em Moscou.

Na semana passada o Ministro do Exterior, Luis Figueiredo, conversou com a Assessora de Segurança Nacional, Suzan Rice, sobre a nova política do governo americano, conforme anunciada pelo presidente Obama. Apesar de o ministro ter dito que saiu "igual" do encontro, espera-se que de alguma forma Brasil e EUA virem mais essa página no difícil relacionamento bilateral. Vamos ver a fórmula que a presidente Dilma vai encontrar para esquecer o pedido de desculpas formulado por ela e que nunca será respondido por Obama.