OPINIÃO
02/03/2015 18:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

7 mulheres na obra de Eduardo Amarante

Quem entra no ateliê do artista plástico Eduardo Amarante, no Centro Histórico de Paraty, encontra um universo tão diverso, que chega a imaginar que as telas são de muitos, e não de apenas um artista. São fases distintas: os abstratos, especialmente vermelhos, marcam os momentos mais recentes do pintor. Há também as telas óticas, que confundem o olhar quase em um efeito 3D. As figuras femininas, contudo, roubam a cena.

Quem entra no ateliê do artista plástico Eduardo Amarante, no Centro Histórico de Paraty, encontra um universo tão diverso, que chega a imaginar que as telas são de muitos, e não de apenas um artista. São fases distintas: os abstratos, especialmente vermelhos, marcam os momentos mais recentes do pintor. Há também as telas óticas, que confundem o olhar quase em um efeito 3D. As figuras femininas, contudo, roubam a cena na Retrospectiva Eduardo Amarante, exposição que acontece de 6 a 29 de março, na Casa da Cultura de Paraty. A mostra reúne 24 obras de Amarante, produzidas de 1976 a 2014, a maior parte delas em grandes dimensões, como é o caso das mulheres. Fortes, as figuras femininas vão dos anos 70 até hoje. A partir dos anos 90, Amarante passou a explorar especialmente os abstratos como uma maneira de se desligar da arte narrativa, segundo ele diz, para uma técnica que o deixasse mais livre, leve, solto. As mulheres, na arte, também dão trabalho. Basta olhar para uma das criações femininas do artista para perceber, em cada mínimo detalhe, os meses de atenção que cada uma delas demandou.

1. Uma das telas mais impactantes da mostra é Mitsoukette (na foto acima), acrílica sobre tela de 160 X 130 cm, de 1989, pintada em Paris, cidade em que Amarante viveu por 27 anos -4 deles entre a capital francesa e o vilarejo Buis les Baronnies, na região da Provence. "A cultura brasileira influenciou minha realidade na França. As mulheres que pintei nessa fase são uma mistura de Carnaval com refinamento francês", diz ele. A trajetória do artista é tão inusitada quanto sua obra: natural de Barra Mansa (RJ), aos 18 anos ele deixou a faculdade de Arquitetura, no Rio, e embarcou em um navio cargueiro para a Europa. Em Paris, continuou os estudos acadêmicos, mas logo passou a pintar em tempo integral. Daí não parou mais: depois de algumas exposições no Rio e em Salvador, realizou sua primeira individual em uma galeria parisiense, em 1983, e recebeu o prestigiado prêmio "Aide à la Première Exposition", concedido pelo Ministério da Cultura da França. Várias outras exposições se seguiram em galerias de prestígio como Galerie Liliane François, Paris (1983, 1985, 1986, 1994), Facchetti Burk Gallery, New York (1983, 1985), Salon Figuration Critique, Paris (1986), Galerie Art et Patrimoine, Paris; Galerie Le Cube, Paris (1992), entre outras e, mais recentemente, a Galeria Günzburg, Überlingen, na Alemanha, em 2012.

Atualmente, Eduardo Amarante se divide entre Paraty, onde mantém seu ateliê, e São Paulo. A Retrospectiva Eduardo Amarante, na Casa da Cultura de Paraty, é uma excelente oportunidade de conhecer melhor e apreciar a vasta obra deste artista contemporâneo em suas diversas fases, incluindo as figuras femininas enigmáticas, ousadas, sobretudo belas. Confira mais algumas delas:

2. Mel (acr.sobre tela 116×189 cm, Rio de Janeiro, 1979)

3. Femme sur le nuage (acr. sobre tela, 160 x130 cm, Paris, 1990)

4. Fusée (acr.sobre tela, 130x130 cm, Paris, 1992)

5. Gigi.(acr.sobre tela 80×80 cm, Paris, 1977)

6. Musa Dourada (acr. sobre tela 116x87cm, Paraty, 2014)

7. Caline (acr. sobre tela, 146x114cm)

Eduardo Amarante Retrospectiva

6 a 29 de março de 2015

Vernissage 6 de março, às 20h

Casa da Cultura de Paraty

Rua Dona Geralda, 177

Centro Histórico, Paraty, RJ

De terça a domingo, das 10h às 22h

Tel. 55 24 3371-2325

www.casadaculturaparaty.org.br

Fotos: Phelipe Paraense| Divulgação