OPINIÃO
27/03/2015 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

5 maneiras de impedir que seu estresse contagie seus filhos

Antigamente o estresse era algo que afetava os jovens que se preparavam para o vestibular para universidades de alto nível. Hoje em dia, porém, mesmo as crianças menores que atendo em meu consultório de psicologia se queixam de dificuldade em adormecer, dores de estômago, medo de cometer erros, medo de ter notas baixas em provas ou simplesmente sentir que não dão conta.

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Antigamente o estresse era algo que afetava os jovens que se preparavam para o vestibular para universidades de alto nível. Hoje em dia, porém, mesmo as crianças menores que atendo em meu consultório de psicologia se queixam de dificuldade em adormecer, dores de estômago, medo de cometer erros, medo de ter notas baixas em provas ou simplesmente sentir que não dão conta.

Matthew, 8 anos, me disse: "Me sinto realmente nervoso. Às vezes meu coração começa a bater muito rápido".

Jenna, de apenas 7, falou: "Eu perco a cabeça em pouco tempo. Fico louca. Grito muito e choro também."

Ouvir crianças tão pequenas transmitindo tanta angústia é de partir o coração.

As crianças de hoje são muito mais ansiosas que as do passado, em parte porque os alunos de hoje enfrentam expectativas muito mais altas de êxito - e em idades menores -, mais até que seus irmãos mais velhos.

E agora somam-se ao misto familiar turbulento a exposição ao terrorismo e à violência, o excesso de exposição à mídia e as pressões da tecnologia. Mas o maior fator, de longe, é o fato de os adultos estarem mais estressados.

Um terço das mulheres diz que seu estresse aumentou no último ano. Metade já ficou acordada à noite devido a isso, e um quarto das mulheres diz que o estresse as faz sentir-se solitárias ou isoladas.

O problema é que o estresse é altamente contagioso, especialmente dentro da família.

Por mais que você se esforce para esconder sua tensão, seus filhos a captam. Eles procuram em você os sinais que lhes dizem se podem ou não sentir-se em segurança. Então o que você deve fazer quando está estressado?

Pode procurar evitar onerar seus filhos com seus problemas, mesmo que não intencionalmente. Dizer isso é mais fácil que fazer. É preciso muita autoconsciência, muito autocontrole e prática. Mas o esforço vale a pena: sabemos que crianças expostas a estresse extremo ou prolongado podem sofrer problemas de saúde física ou mental mais adiante na vida.

O primeiro passo é conhecer seus próprios gatilhos de estresse. Na minha experiência, o maior fator de estresse de pais hoje em dia é a preocupação com o êxito de seus filhos. Em muitos casos essa preocupação tem suas raízes no passado.

Uma mãe que sentia ansiedade em relação a uma de suas filhas começou a chorar quando descreveu suas "duas sobrinhas superestrelas que brilham em tudo". Ela estava enxergando sua própria filha através da lente de sua insegurança infantil devida à competição com uma irmã excepcional.

Outra mãe me contou que estava deixando seu filho de 7 anos nervoso pela manhã por ficar apressando-o sempre ("vamos, vamos!", "você vai perder o ônibus escolar!"). Ela percebeu que estava transferindo para ele seu próprio medo de se atrasar - logo, de ser imperfeita --, que a perseguiu a vida inteira.

Quando eu era pequena, minha mãe sofria crises médicas frequentes e era internada no hospital. Tive que tomar grande cuidado para não repetir meu pensamento catastrófico da juventude nos momentos em que meus próprios filhos apresentavam febre, erupções ou outros sintomas.

Depois de identificar seus pontos sensíveis, o passo seguinte é administrá-los, para que não contaminem sua relação com sus filhos. Existem algumas estratégias que podem ajudar:

1. Encare o estresse de frente. Não pense "todo o mundo lida com pressões - por que não consigo?". Ignorar seus sentimentos não funciona; o estresse apenas se agrava. Portanto, tire tempo para cuidar de si mesma. Se achar difícil justificar isso, faça-o por seus filhos. É como as instruções dos comissários de bordo em aviões: se você não colocar sua própria máscara de segurança primeiro, não poderá ajudar seu filho a superar situações estressantes.

2. Respire fundo. Administre o estresse da maneira mais saudável possível. Faça aquilo que mais o acalma, quer seja tirar um tempinho para si mesmo, curtir um banho de banheira ou assistir alguma coisa na TV que não exija senso crítico, apenas por diversão. Se você estiver calmo, conseguirá pensar com mais clareza e resolver melhor seus problemas. Além disso, se estiver frenético, fará o estresse de seu filho entrar na zona vermelha, de perigo.

3. Mantenha a perspectiva. Seja o que for que estiver causando seu estresse, lembre-se que as fases ruins geralmente acabam. Se são seus filhos que estão passando por dificuldades, deixando você preocupada ou frustrada, procure lembrar que a infância é cheia de dificuldades passageiras.

4. Converse sobre os problemas. Quando as crianças sentem que alguma coisa está acontecendo, mas não sabem o que é, geralmente imaginam as piores hipóteses possíveis. Dê a elas explicações que sejam apropriadas para sua idade (usando o mínimo possível de palavras) e mostre que são amadas e estão em segurança. Deixe seu tom de voz e sua postura corporal tão carinhosos e reconfortantes quanto suas palavras. Deixe as crianças fazer perguntas e falar de seus sentimentos; pesquisas mostram que isso reduz em muito seu medo e ansiedade em relação a experiências estressantes.

5. Procure apoio emocional. Não há nada de vergonhoso em pedir ajuda. Ter contato com pessoas é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o estresse, especialmente para as mulheres. Procure as pessoas sábias, confiáveis e receptivas de sua vida, pessoas que amam você e seus filhos. Deixe que elas a ajudem.

Quando você usa estratégias como essas para administrar seu próprio estresse, está dando a seus filhos exemplos saudáveis de como lidar com o estresse. Você saberá que os ensinou bem quando eles conseguirem dizer como se sentem, conseguirem acalmar-se e vierem lhe procurar para receber um carinho. E dar um abraço em seu filho também vai acalmar você imediatamente.

Roni Cohen-Sandler, Ph.D., é psicóloga clínica, autora, palestrante e apresentadora de workshops. Ela é entrevistada frequentemente pela mídia americana..

Siga Roni Cohen-Sandler, Ph.D. no Twitter:www.twitter.com/DrRoni

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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