OPINIÃO
21/09/2015 20:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Rede Sustentabilidade e as não-linearidades da vida

A política e o debate polarizados, muitas vezes, se utilizam de pensamentos lineares para explicar um mundo e uma vida regidos por relacionamentos muito mais complexos do que a linearidade.

Existe um equívoco perene que ultimamente permeia o pensamento dos grupos politizados da sociedade brasileira: ele chama-se "fantasma da linearização".

Uma criatura medonha que observa o mundo a partir de lentes monocromáticas, possivelmente azuis ou vermelhas, e se esquece da complexidade característica do planeta em que vivemos.

A vida é complexa

Em palavras simples, a linearidade é um tipo de relação matemática que determina como certas variáveis se associam.

O peso de uma pessoa e a quantidade de comida que ela consome seriam bons exemplos dessas variáveis.

Assumir que elas se relacionam de forma linear seria dizer que engordamos ou emagrecemos na proporção exata em que nos alimentamos... Quão fácil seria emagrecer assim!

Mas pergunte à qualquer pessoa que já tentou emagrecer "míseros cinco quilos" e você descobrirá que não é bem desta forma que as coisas funcionam.

Perder dois quilos pode ocorrer de forma mais rápida para quem tem 102 quilos do que para quem tem 82, e muitas vezes cortar drasticamente o consumo de alimentos pode levar a efeitos colaterais indesejados.

Uma maquiagem muito pesada pode acabar retirando a beleza em vez de valorizá-la. Enquanto que usar maquiagem nenhuma pode ser uma péssima ideia.

Um bolo com doses extremas de fermento não resultará num bolo gigante (pelo contrário, será apenas um bolo ruim).

Uma empresa que possui o Estado como seu acionista majoritário pode passar por problemas sérios de corrupção como a Petrobras, ou pode ser referência em modelo de gestão como a norueguesa Statoil.

Relações lineares são boas para simplificação. Elas nos ajudam a entender o universo em que vivemos, mas nem sempre são um reflexo exato dele.

Isso ocorre porque muitos fenômenos observados na natureza e na própria vida dificilmente são caracterizados por y = ax + b.

Já as relações não-lineares são aquelas muito mais complicadas e difíceis de se descrever. E é dessa observação que retiro minha teoria para este breve ensaio: de que talvez a política e o debate polarizados, muitas vezes, se utilizam de pensamentos lineares para explicar um mundo e uma vida regidos por relacionamentos muito mais complexos do que a linearidade é capaz de comportar.

E, como cientistas cegos, algumas pessoas -- minoritárias, mas que se impõem estridentemente audíveis -- são incapazes de observar a beleza da complexidade que nos cerca, sendo apenas suscetíveis a abraçar os simplismos de seu fundamentalismo ideológico.

Uma Rede complexa para uma vida complexa

Os óculos monocromáticos da linearidade vampirizam-nos a autocrítica, a paz, a capacidade de diálogo, a esperança no futuro e até mesmo a humanidade da alma, abrindo feridas que clamam por um amplo e tolerante debate em nosso meio.

E é neste cenário que reside a demanda por um partido-movimento nos moldes da Rede Sustentabilidade, que, a meu ver, rejeita a cegueira ideológica oferecendo em troca análise científica cuidadosa; que em vez de palavras rancorosas, oferece diálogo; que no lugar de discutir o Estado máximo ou o Estado mínimo, propõe um debate cooperativo sobre o Estado que queremos e precisamos para cada contexto.

A Rede compreende que a emergência do tempo nos convoca a trabalhar incansavelmente na construção coletiva e horizontal de uma terceira via que ainda clama nas ruas da nação:

- Clama na esperança das jornadas de junho de 2013, que gritavam por um poder público eficiente. Por educação e saúde públicas de qualidade. Por segurança. Por políticos honestos. Por inovação. Por tecnologia. Por um ambiente de negócios favorável à ascensão social das pessoas. Pela proteção das minorias: dos LGBT, dos negros, dos índios, das mulheres, dos portadores de necessidades especiais e tantos outros;

- Clama na inconformidade daqueles manifestantes do dia 16 de Agosto que estavam ali contra Dilma, mas também contra Cunha, contra a ditadura, contra a corrupção e cuja visão destoava daquela dos próprios líderes dos movimentos presentes;

- Clama na insurreição daqueles que, mesmo em meio a governistas no dia 20 de Agosto, faziam críticas ao governo e não davam apoio irrestrito à Dilma, mas apenas à defesa dos procedimentos por eles considerados constitucionais.

Em todas essas pessoas - gente com lutas e sentimentos, de carne e osso, como eu e você - enxergamos os sinais de que a vida clama por uma nova forma de fazer política: uma que escolhe o diálogo às pedras, e que opta por pegar em flores a sequer cogitar colocar as mãos em armas.

Uma que é capaz enxergar a vida pelo espectro da complexidade que lhe é característica:

Cheia de não-linearidades, e assim mesmo cheia de belezas.

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