OPINIÃO
01/06/2014 09:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

A sombra de Barbosa

É óbvio que o tema "Fantasma de 50" ainda voltará à pauta muitas vezes (imaginem no caso de um possível reencontro Brasil e Uruguai!). Precisamos nos livrar dessa sombra que nos impede de enxergar as reais razões do nosso fracasso em 50.

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Se o resultado final não foi o pior, certamente a mais traumática memória em Copas do Mundo para o Brasil foi justamente quando o país sediou o evento em 1950. A derrota de virada para o Uruguai tornou célebre e repetido em coro até hoje o que Nelson Rodrigues chamou de "complexo de vira-lata".

Porém, dentre as muitas histórias e relatos que li e ouvi sobre aquele Mundial, outra marca negativa, talvez ainda mais detestável que o vira-latismo, foi a crucificação do goleiro Barbosa.

Não sei como se chamaria isso nos termos acadêmicos da psicologia de botequim. Quem sabe "complexo do carrasco" ou "complexo de verdugo". Seja como for, não seria exagero se o brasileiro desse ao anglicismo "bullying" um verbo próprio, o "barbosear".

Depois de 64 anos, análises mais detalhadas dos fatos constatam que a falha de Barbosa no segundo gol do Uruguai não determinou a perda do título em casa. A euforia excessiva da torcida e dos dirigentes, a bravura e a tradição da Celeste, que aquela altura já era campeã mundial e duas vezes campeã olímpica, precisam ser levadas em conta.

Há ainda relatos de que a obsessão dos políticos brasileiros em tirar uma casquinha da Copa atrapalhou profundamente a concentração da equipe brasileira antes da final (alguém teme que isso possa se repetir?). A biografia de Barbosa, escrita pelo jornalista Roberto Muylaerte, descreve como até o almoço dos jogadores da seleção foi prejudicado por causa da intervenção de políticos que desejavam aproveitar a ocasião para se promoverem (e olha que naquela época ainda não havia tantos patrocinadores).

É óbvio que o tema "Fantasma de 50" ainda voltará à pauta muitas vezes (imaginem no caso de um possível reencontro Brasil e Uruguai!). Por isso, é importante que jogadores, treinadores e torcedores encarem a derrota do passado e desmistifiquem de uma vez a tal "sombra de Barbosa".

Uma homenagem, uma retratação, um pedido de desculpas póstumo pelos longos anos de uma infame perseguição ao grande goleiro que foi Barbosa cairiam bem nesse momento. É necessário nos livrar dessa sombra que nos impede de enxergar as reais razões do nosso fracasso em 50.

Fazer as pazes com nossa história futebolística fará bem para entendermos como se dão nossas vitórias e nossas derrotas e, quem sabe, ajudar para que o futuro não repita o passado.

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