OPINIÃO
14/10/2014 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

5 sinais de que perdemos a eleição

Tetra Images via Getty Images

Em um país que passou tanto tempo sem eleições, só o fato de vivermos o período com o maior número de sufrágios seguidos já é motivo para celebrar. Mas não podemos esquecer que, como qualquer jovem, o melhor que pode acontecer com a democracia brasileira é ganhar mais experiência para amadurecer.

Então, não encare esse texto como um manifesto de pessimismo, mas apenas como aquilo que alguém mais velho que a democracia brasileira diria para ela melhorar. Agora, se é você é daqueles que ameaça ir embora do país sempre que a política o desagrada e já postou seu ultimato caso um candidato ou outro vença o pleito presidencial, não precisa esperar 26 de outubro. Você tem outros motivos.

1. Eles não nos representam

Talvez pela herança histórica de autoritarismo, muita gente pensa que é só o presidente quem manda e ponto. Aí, discute-se pouco os candidatos do Poder Legislativo (deputados e senadores). O eleitor parece ainda não entender que a alma da corrupção e de tantas outras mazelas políticas está no Congresso, ecossistema habitado por candidatos que ele escolhe com pouco ou nenhum critério. Com a falta de atenção dada à escolha dos deputados, por exemplo, naturalmente ficamos com pouca representatividade daquilo que realmente é o Brasil. Só para ilustrar: enquanto mais de 50% dos brasileiros são pardos ou pretos (Censo 2010), apenas 20,08% dos deputados eleitos se autodeclaram assim.

2. Candidatos-celebridades

Na era de astros instantâneos, é até natural que muitos se aproveitem da exposição que têm ou algum dia tiveram na mídia para conseguir muito mais do que 15 minutos de fama, de salário e benefícios garantidos. Celso Russomano e Tiririca encabeçaram a lista dos mais votados. Russomano levou com ele outros oito deputados. Anônimos que a gente não conhece e muito menos imagina o que farão na Câmara. Coisa boa é que não deve ser. Paralelamente, em busca de mais pontos ou cliques, emissoras de TV e portais de Internet exploraram exaustivamente declarações polêmicas - para não dizer estúpidas - de alguns deputados ultraconservadores. Antes ilustres desconhecidos, esses políticos acabaram fazendo fama e chamaram a atenção de eleitores ainda mais reacionários. Resultado: um desses deputados foi o mais votado no RJ. Outro, o terceiro mais votado em São Paulo. Um incentivo desnecessário a uma bancada de extrema direita que cresce a cada eleição. Para o mal da evolução democrática do país.

3. Ringue das redes sociais

A Internet tem potencial - muitas vezes ela é - para ser o mais proveitoso espaço democrático de debate sobre política. Mas, infelizmente, grande parte das redes sociais se tornou um caldo de cultura ideal para proliferar o vírus da desinformação: um ambiente quente como os nervos de partidários raivosos e úmido como a baba daqueles que só querem exterminar o adversário. Aí é um festival de argumentos baixos, preconceituosos ou até a falsificação/invenção de notícias. Pior, muita gente compartilha qualquer absurdo sem ao menos se perguntar de onde saiu tal informação.

4. Pesquisas

Mais uma vez, grande parte do eleitorado não só deixou de buscar as propostas dos candidatos, como baseou seu voto exclusivamente pelo que indicavam as pesquisas. Você deve ter ouvido muito a expressão "voto útil". Só que isso parece ter criado um círculo vicioso: a opinião do eleitorado é cada vez mais volúvel e as pesquisas cada vez menos identificam as bruscas alterações do cenário eleitoral. No final, pinta uma enorme diferença entre as projeções das pesquisas de opinião e a apuração das urnas. Resultado: o eleitor preguiçoso que vota apenas pelo que dizem as pesquisas ainda reclama que elas erram.

5. Eterna polarização

Pela primeira vez, houve uma possibilidade concreta de se decretar o fim do Fla-Flu entre PT e PSDB desde 1994, mas ela se derreteu junto com a candidatura de Marina Silva e até com a postura do PSB que não se mostrou muito diferente da "velha política". Ainda que o PSOL tenha se estabelecido como quarta força no país, ainda é difícil contestar as opiniões do PSDB sem ser tachado de "petista" ou contestar as propostas do PT sem passar por "tucano". No fundo, o desgaste dos dois partidos mostra que ambos não possuem um modelo capaz de agradar realmente os anseios da população que, por sua vez, parece assumir um conservadorismo cada vez mais distante de uma profunda mudança política e social do Brasil.

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