OPINIÃO
14/01/2015 16:42 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Quando menos é mais

Antes, estávamos acostumados a nos concentrar em um único objeto ou informação por longos períodos, ignorando estímulos externos. Hoje, cada vez mais é possível notar, principalmente entre os millenials, o hábito de alternar o foco entre diversas informações, tendo como base um ambiente de estímulos constantes e baixa tolerância ao tédio. Nessa linha, os ganhos com a fragmentação de conteúdo em formato de pílulas são muitos.

Tenho acompanhado pesquisas sobre o comportamento da audiência em vários tipos de meios e mídias. Esses dados estão cada vez mais surpreendentes. Imagine que a produção da indústria cinematográfica da década de 60 levava em conta o tempo de 20 segundos para as pessoas reconhecerem e assimilarem uma imagem. Tamanha é a rapidez com que as coisas acontecem hoje que esse número caiu para apenas três segundos! Se pensarmos numa palestra ou apresentação, por exemplo, o tempo de atenção das pessoas fica em torno de 20 minutos. Depois disso, a concentração tende a cair consideravelmente.

Esses dados são exemplos de que estamos vivenciando um momento de fragmentação cada vez maior, que diga-se de passagem não tem nada a ver com tornar os temas mais superficiais... Mas isso será assunto para um próximo post. Essa fragmentação se refere a uma mudança no cerne da própria cultura: estamos migrando do estado da atenção profunda para o da hiperatenção. Antes, estávamos acostumados a nos concentrar em um único objeto ou informação por longos períodos, ignorando estímulos externos (atenção profunda). Hoje, cada vez mais é possível notar, principalmente entre os millenials (indivíduos das gerações Y e Z), o hábito de alternar o foco entre diversas informações, tendo como base um ambiente de estímulos constantes e baixa tolerância ao tédio.

Quando pensamos no processo de aprendizagem no universo corporativo nos dias de hoje sempre vem à tona a seguinte pergunta: como ensinar garantindo que o interesse do aluno permaneça numa curva ascendente ou, no mínimo, constante? Essa preocupação é bastante pertinente quando observamos que uma parte considerável desse público do universo corporativo é composto pelos millenials, os nascidos após 1980, que podem estar lendo esse post agora mesmo e são familiarizados desde muito cedo com tecnologias digitais e redes de colaboração. Eles (ou vocês das gerações Y e Z) apresentam como características principais a necessidade constante de estímulo e a tendência a consumir conteúdos que venham divididos em pequenas partes, mas que façam sentido tanto por si só quanto dentro de um contexto maior.

Nessa linha, os ganhos com a fragmentação de conteúdo em formato de pílulas são muitos:

  • além de manter o foco da atenção durante toda sua duração (normalmente não superior a 10 minutos), esse formato compartimentado também é mais fácil de se fixar na memória do aluno;
  • a maneira como o conteúdo pode ser estruturado tende a ser mais interessante, uma vez que apresenta um começo, meio e fim a cada peça e não somente dentro do conjunto;
  • na sua maioria, conteúdos fragmentados são mais fáceis de disponibilizar, do ponto de vista instrucional, em aparelhos móveis (como smartphones e tablets), uma vez que nesses dispositivos o consumo da informação precisa ser ainda mais assertivo e de curta duração.

Ainda que alguns conteúdos não consigam ser integralmente trabalhados em apenas 10 ou 15 minutos, o objetivo é que se tenha ao final da produção uma trilha, que pode ser composta de quantas peças forem necessárias, em vez de um curso com uma duração extremamente extensa. Para quem se interessar em conhecer um pouco mais sobre a fragmentação de conteúdo, compartilho aqui o link da pesquisa de tendências da Ciatech, que reúne dados pertinentes sobre o tema.

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