OPINIÃO
23/05/2014 18:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Decreto de instauração da "Patrulha da Consciência Alheia"

Está decretado que é vetado proferir qualquer juízo fora das normas de consciência emitidas pelo governo central do Brasil.

Está decretado que é vetado proferir qualquer juízo fora das normas de consciência emitidas pelo governo central do Brasil.

Resolve-se que aquele que fizer qualquer crítica ao governo federal e ao partido que o comanda deve também, obrigatoriamente, fazer críticas aos partidos oposicionistas e seus governos, sob risco de sanção que determina que o criticante seja rotulado, etiquetado, carimbado e qualificado como "sabotador da pátria", "contra os pobres", "pequeno burguês" e similares.

Extingue-se a espúria e malfadada liberdade de consciência e manifestação àqueles que discordem desse governo e seus defensores, até que entendam, "di cuore", que os maiores cumes da virtude estão destinados aos seus propugnadores e apoiadores.

Define-se que avaliar, criticar, asseverar, questionar, desaprovar e maldizer os mais altos postos de comando do Brasil não tem nenhuma e qualquer correspondência à própria consciência do indivíduo e à sua capacidade de refletir e julgar por si só, mas a interesses ocultos que ele mesmo não domina.

Estipula-se que patrocinar, incentivar ou curtir qualquer ideia que seja antagônica aos "valores" do partido que comanda o país fica sob suspeita de heresia política, podendo levar o contraventor ao banimento da igrejinha dos bem-pensantes e virtuosos que sustentam os governantes do país sob a liderança da "grande timoneira" e do nosso Gran Duce.

Fica instituído assim a "Patrulha da Consciência Alheia", que a partir de seus agentes espalhados pelo mundo real e virtual tem como objetivo patrulhar e verificar o grau de discordância com as máximas, preceitos e axiomas da cartilha do Partido-Estado brasileiro.

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