OPINIÃO
28/03/2016 15:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

As músicas ruins que tanto amamos

Talvez você já tenha pensado nisso, mas é importante dizer: nem tudo de que gostamos é realmente bom - ou, deixando mais claro, de boa qualidade. Pode parecer um contrassenso, mas eu chego lá.

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Eu gosto de músicas ruins. Ok, algumas. Criei até uma lista no Spotify chamada Pop Sem-vergonho para meus prazeres escusos. E eu sei que as músicas não são realmente boas, por mais relativizável que seja esse conceito.

É que, nessa época pós-moderna em que vivemos, diversos conceitos são transformados de forma a se adaptar a nossas visões de mundo. Consequentemente, entendemos que, se isso ou aquilo nos agrada, deve ser bom para todo mundo. E quem não gosta do mesmo que nós está errado. Egos à parte, a coisa não funciona assim. Objetivamente, uma música boa continua se baseando nos mesmos parâmetros de séculos atrás.

Talvez você já tenha pensado nisso, mas é importante dizer: nem tudo de que gostamos é realmente bom - ou, deixando mais claro, de boa qualidade. Pode parecer um contrassenso, mas eu chego lá.

Em 2003, a gravadora do OutKast estava para lançar a música Hey Ya!, que se tornaria um grande sucesso do grupo. Mas ela não emplacou de primeira nas rádios: era muito diferente das outras músicas da programação. Os ouvintes estranhavam tanto que mudavam de estação. Para solucionar o problema, rádios começaram a incluir Hey Ya! em meio a músicas familiares ao público. De 26,6%, a rejeição caiu a 5,7% em 4 meses. O que nos é familiar é mais confortável e aceitável.

Esse é só um exemplo de que podemos gostar de algo pelas mais variadas razões: familiaridade, conexão emocional, costume, repetição. Nada disso aumenta a qualidade o que gostamos, mas nos complementa de alguma forma.

É claro que isso não quer dizer que você deva se envergonhar das músicas ruins que ouve.

Na verdade, é o contrário: você deve ter toda a liberdade de ouvir o que quiser (a um volume razoável para não incomodar quem estiver em volta ou pelo fone de ouvido) com toda a felicidade do mundo.

Mas talvez você possa censurar menos as demais pessoas que, ou ouvem músicas de que você não gosta, ou não ouvem as músicas de que você gosta. Essas pessoas, muitas vezes seus amigos, podem ter as mais diversas conexões com músicas que os deixam felizes.

E como é bom poder buscar felicidade nas músicas ruins que tanto amamos.

As informações sobre o Hey Ya!, do OutKast, eu retirei do livro O Poder do Hábito. Leitura altamente recomendada.

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