OPINIÃO
29/06/2015 22:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Menos, Zeca... Menos!

Reprodução/Twitter

Sobre a comoção com a morte do cantor Cristiano Araújo, Zeca Camargo diz:

"Como então fomos capazes de nos seduzir emocionalmente por uma figura relativamente desconhecida? A resposta está nos livros de colorir", e associa o fenômeno dos livros de colorir "a pobreza da atual alma cultural brasileira"

Zeca Camargo consegue provar que para ser crítico não é preciso ter reflexões muito profundas, assim como os livros de colorir para adultos. Porém, os livros trazem algo de bom (dizem que alivia o stress), enquanto o discurso do nosso "grande intelectual" só traz algo de bom se o percebermos a partir de uma leitura crítica. Uma leitura que permita pensar sobre o que foi dito e pensar sobre a sua capacidade de hierarquizar culturas (em tão pouco tempo de fala).

Pensar também sobre sua falta de capacidade de pensar sobre o outro e sobre os muitos outros Brasis. A fala de Zeca é superficial e pobre. Porém, é importante, em todos os discursos, saber sobre "Quem fala". Pois bem, Zeca Camargo passou pelos programas "Fantástico", "No Limite" e "Vídeo Show" - só coisa da "elite", né?

Caro Zeca, você também não pertence ao "mais nobre" do imaginário da "elite" e nem por isso você é inferior. Temos que nos questionar sobre quem diz o que é ou não válido como cultura. Temos que nos questionar sobre que relações de poder estão presentes nesse jogo de considerar algo "aceitável culturalmente" ou não.

O mínimo que pode ser feito é repensar o que foi dito, mas, principalmente "como foi dito". Deixe amar, quem quiser amar Cristiano Araújo. Deixe quem quiser amar Cazuza, amar. Vamos permitir que achem "pobre de cultura" apenas aqueles que não conseguem perceber o que o outro pode ter de bom.