OPINIÃO
11/05/2015 10:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Criticar a incriticável polícia

Todos podem e devem se questionar sobre a atividade do professor e sobre a escola, mas, se fazemos uma crítica à atividade da polícia, logo somos chamados de "amigos dos bandidos", defensores dos "direitos dos manos", surgem frases do tipo "quero ver quem vai te proteger"... E outras piores.

Governo do Estado de São Paulo/Flickr
O governador Geraldo Alckmin Participa da Formatura de 1190 Soldados da Polícia Militar em São Paulo.Data: 30/04/2014. Local: São Paulo/SP. Foto: Diogo Moreira/A2 FOTOGRAFIA

O texto de hoje é bastante óbvio e propõe refletir sobre uma questão que surge a partir do último, no qual eu afirmo que a ação violenta da polícia contra os professores é um desserviço para o Brasil.

Espera-se que um professor desenvolva, ao longo da carreira docente, uma capacidade de refletir e fazer críticas a sua própria atividade - repensando práticas, direcionamento das práticas, posicionamento em sala diante dos estudantes, repensando, de forma geral, a sociedade. Acredito (e muitos concordam) que nada mais sadio do que a autocrítica e, essa atitude, é capaz de mudar muito a educação, desde o indivíduo ao coletivo. Sempre critiquei a minha atividade docente, faço isso durante e após cada entrada em sala de aula.

Porém, uma coisa me intriga. Todos podem e devem se questionar sobre a atividade do professor e sobre a escola, mas, se fazemos uma crítica à atividade da polícia, logo somos chamados de "Amigos dos bandidos", defensores dos "Direitos dos Manos", surgem frases do tipo "Quero ver quem vai te proteger"... Outras piores.

Daí penso:

Será a atividade policial tão perfeita que é impossível de ser questionada?

Ao questionar a educação eu busco uma melhora naquilo que acredito tanto, mas, ao questionar a atividade policial eu sou um subversivo que merece todo o mal do mundo.

Não seria importante a instituição "polícia" encarar as críticas de forma mais propositiva? Não seria importante a instituição repensar, realmente, o que faz e buscar outras formas de atuação ao invés de considerar seus críticos como "inimigos de uma sociedade de pessoas de bem"?