OPINIÃO
17/11/2016 10:50 -02 | Atualizado 17/11/2016 10:50 -02

Nunca houve tantos escravos no mundo

Resgatar três meninas que seriam vendidas como prostitutas em uma viagem que fiz à Índia em 2002 mudou minha vida para sempre. Foi meu primeiro encontro com o crime de tráfico de pessoas, também conhecido como escravidão moderna. Saber que a escravidão não era assunto do passado me deixou arrasado e consternado. Depois entendi que ser testemunha de um crime invisível para muitos, mas de proporções epidêmicas, me transformava em cúmplice, se não fizesse nada.

Resgatar três meninas que seriam vendidas como prostitutas em uma viagem que fiz à Índia em 2002 mudou minha vida para sempre. Foi meu primeiro encontro com o crime de tráfico de pessoas, também conhecido como escravidão moderna. Saber que a escravidão não era assunto do passado me deixou arrasado e consternado. Depois entendi que ser testemunha de um crime invisível para muitos, mas de proporções epidêmicas, me transformava em cúmplice, se não fizesse nada.

Desde então, minha luta no combate a esse crime horrível é meu norte humanitário. Depois daquela viagem e de conhecer grandes abolicionistas modernos na capital dos Estados Unidos, concentrei a estratégia da minha fundação na denúncia do tráfico humano, usando a educação como plataforma de ação social.

Os diálogos que mantenho há uma década com organizações amigas reafirmam minha trajetória humanitária. O poder de divulgação, graças à minha profissão de artista, me permite ser um defensor de populações vulneráveis. O tráfico de pessoas é umas das violações mais graves dos direitos humanos, e vou sempre denunciá-lo do palco. Em junho, estive no Líbano como embaixador da boa vontade do Unicef, promovendo a conscientização a respeito de milhões de crianças e jovens refugiados que estão vulneráveis à exploração. Além disso, tenho apresentado em meus shows a realidade do tráfico de pessoas por meio de um trabalho videográfico, para que todos tenham conhecimento dessa atrocidade.

Listening to their stories. #ChildrenofSyria. #syrianrefugees #syrianrefugeechildren #Lebanon

Una foto publicada por Ricky (@ricky_martin) el

Ouvindo suas histórias. #ChildrenofSyria #syrianrefugees #syrianrefugeechildren #Lebanon

Nunca houve tantos escravos. Cerca de 45 milhões de pessoas são vítimas de tráfico humano em todo o mundo, das quais 13 milhões são crianças e jovens. Sendo pai, essa luta se intensifica, pois as vítimas desse crime podem ser crianças e é nossa responsabilidade como sociedade dialogar com nossos filhos sobre esse crime. Falo com meus filhos sobre seus direitos humanos e, à medida que eles crescem, vou lhes explicando as injustiças.

Sleepy heads.

Una foto publicada por Ricky (@ricky_martin) el

Com sono.

O tráfico de pessoas é o segundo crime mais lucrativo do mundo e gera 150 bilhões de dólares anualmente. Nenhum país está imune a esse crime organizado. É um delito que não tem limites nem fronteiras e que existe em diversas formas: servidão forçada, exploração do trabalho, exploração sexual, prostituição alheia e casamento forçado, entre outras.

Ninguém deveria ser explorado e despojado de sua liberdade. Em minha fundação, estamos convencidos de que todos os meninos e meninas têm direito à sua infância, e seus direitos humanos devem ser protegidos. Como abolicionistas modernos, combatemos o tráfico humano com educação e programas de inclusão.

Seu apoio à nossa organização fortalece nossas investigações pioneiras, campanhas de sensibilização, oficinas e programas de prevenção nas escolas - mas, acima de todo, empodera essa geração.

Para prevenir este crime, criamos em Porto Rico o Centro Tau, onde oferecemos uma formação holística educativa a 140 participantes, de dois meses de idade até a graduação. Também lideramos investigações pioneiras, seguindo o modelo internacional do Protection Project, em colaboração com a Universidade de Porto Rico. Como consequência, o tráfico humano foi tipificado no Código Penal do país. Graças a nossos esforços, em todo mês de fevereiro se comemora o mês anti-tráfico. Em novembro e dezembro teremos, pelo quinto ano consecutivo, nossa feira - um evento educativo massivo - no centro comercial Plaza Las Américas, projeto que conta com a colaboração de voluntários e visitado por cerca de 300 000 pessoas.

Eva Longoria e Ricky Martin estão na Cidade do México para promover o Global Gift Gala.

Só se vence essa batalha se trabalharmos juntos. A aliança que temos com a Fundação de Eva Longoria retrata o compromisso de dois ativistas que se uniram para avançar os direitos humanos de populações vulneráveis. Juntos, fortalecemos nossas missões. Em 12 de novembro, realizamos o Global Gift Gala do México, porque precisamos de investidores sociais, guerreiros comprometidos com a justiça social.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Mexico e traduzido do espanhol.

LEIA MAIS:

- David Beckham: 'HIV e seca têm impacto devastador na vida das crianças na África'

- Jennifer Aniston: 'Não estou grávida. O que estou é de saco cheio'

Também no HuffPost Brasil:

Galeria de Fotos Celebridades engajadas em causas da ONU Veja Fotos