OPINIÃO
30/03/2015 18:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Rusbridger, editor-chefe do Guardian, convoca: deixem o óleo e carvão sob a terra, vamos salvar o planeta

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Alan Rusbridger, há 25 anos editor-chefe do jornal britânico The Guardian, prepara sua aposentadoria. E nessa nova fase, abraçou uma missão: abrir os olhos do mundo para o colapso civilizacional que pode ser causado pelo aquecimento global.

Recentemente, ele publicou um artigo-manifesto sobre seu novo compromisso pessoal. Como jornalista e ambientalista, me senti pressionado a fazer mais e melhor na cobertura do Brasil Post sobre o tema. É o que começamos a colocar em prática a partir de hoje.

Mas a tarefa não será nada fácil. Falando sobre a extensa cobertura do Guardian sobre tema, Rusbridger reconhece: os jornalistas não descobriram como alertar a humanidade para a extensão e a profundidade desse problema:

As mudanças (climáticas) podem estar acontecendo muito rápido para o atual nível do conforto humano, mas acontecem muito lentamente para os criadores de notícias - e, para ser justo, para a maioria de seus leitores.

Para compensar essas dificuldades, no tempo que lhe resta como editor, resolveu direcionar os melhores recursos de The Guardian para mostrar o que está acontecendo com nosso planeta:

E que -se não fizermos nada- teremos um futuro que um renomado cientista definiu como "incompatível com qualquer caracterização de uma comunidade global organizada, justa e civilizada".

Para aqueles que ainda questionam o que já é consenso entre a esmagadora maioria dos cientistas, Rusbridger prefere não desperdiçar mais seu tempo:

... o consenso científico sobre as mudanças climáticas provocadas pelo homem e seus efeitos prováveis é esmagador. Vamos deixar os céticos desperdiçarem seu tempo desafiando a ciência. A principal discussão agora mudou para a política e a economia.

E, para finalizar, Rusbridger aponta as frentes mais importantes na luta para evitar um futuro com cenário de cinema catástrofe:

O debate agora é sobre duas coisas: o que os governos podem fazer para tentar regular, ou evitar, as conseqüências previsivelmente aterrorizantes do aquecimento global para além 2C até o final do século. E como podemos evitar que os países e corporações que possuem reservas remanescentes no planeta de carvão, gás e petróleo sejam autorizados a extrair esses recursos. Precisamos mantê-los sob o solo.