OPINIÃO
17/06/2014 12:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Episódio do "vai tomar..." fez bem para Dilma

REUTERS/Kai Pfaffenbach

Os assessores e a coordenação da campanha política de Dilma Roussef concordam: o desagradável episódio do "vai tomar no c..." da abertura da Copa fez bem para a campanha à reeleição. É o que informa artigo assinado por Valdo Cruz e Natuza Nery, da Folha. Há muito tempo um fato não desperta tantas opiniões apaixonadas, contraditórias, e às vezes estúpidas, quanto o xingamento à presidente. Uma coisa, entretanto, é indiscutível: o 12 de junho marcou não apenas o pontapé inicial da Copa mas também o da campanha eleitoral.

Eu estava na Arena Corinthians cobrindo o jogo de abertura para o Brasil Post e posso afirmar: se descontarmos os que não falavam nossa língua, uma boa parte do estádio se juntou ao coro. Mesmo na tribuna de imprensa, vi jornalista aderindo. A matéria da Folha que localiza o início do coro na área VIP diz que houve quatro "ondas" de xingamento. O texto da Folha foi publicado na web às 16h24 e atualizado às 18h43. A minha publicação sobre o episódio no liveblog do Brasil Post foi às 16h59 _porque, de todas essas ondas, a maior e mais impressionante foi depois do hino e imediatamente antes do apito inicial da partida.

"Na avaliação de assessores de Dilma, os xingamentos foram ruins, mas o governo conseguiu tirar proveito da 'virulência' da torcida", afirma a reportagem. É fato é que ninguém explorou tanto (e tão bem) a vitimização de Dilma quanto o ex-presidente Lula nos últimos dias. Como hábil político ele percebeu que, no meio da massa de indecisos que vai definir esta eleição, muita gente poderia se apiedar da presidente.

Lula achou o nervo exposto do eleitorado indeciso nas feministas militantes. E na parte feminista ou cavalheiresca dentro de cada um de nós, por mais opostos que cavalheirismo e feminismo soem. Cavalheiros e feministas não aceitam grosseria contra mulheres. Mas apesar disso, acredito que um dos argumentos mais risíveis em toda essa polêmica é afirmar que o "vai tomar no cu" foi uma apologia ao estupro. Levar ao pé da letra expressões consagradas pelo uso em uma língua, especialmente expressões chulas, é uma estupidez.

Como muitos brasileiros, me acostumei a usar a interjeição "caralho" desde criancinha. Mas quando vivi na Espanha, decobri com espanto que lá a palavra que desempenha essa função é "conho", ou "buceta" em Português. Aqui no Brasil, entretanto, dizer "buceta" é quase inaceitável. Já na Espanha, "carajo" não é usado nem pelas bocas mais sujas.

Para entender melhor o que "vai tomar no cu" significa, é bom começar lendo este verbete da wikipedia que afirma:

A compreensão de uma interjeição depende da análise do contexto em que ela aparece