OPINIÃO
16/09/2014 12:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Documentário mostra peregrinação de brasileiros aos lugares mais sagrados do Budismo

Há 4 anos, tive o privilégio de participar de uma peregrinação pelos oito lugares mais sagrados do budismo na Índia e Nepal. Uma maratona física e espiritual de mais de 4 mil km, que nem todos que começam conseguem completar. As dificuldades e descobertas de nosso grupo, que reuniu 26 brasileiros nesse caminho, é o tema do documentário "Yatra, uma Viagem Externa, Interna e Secreta", que terá pré-estreia nesta quarta (17), às 19h30, no Centro Cultural São Paulo.

Poucas experiências em minha vida foram tão transformadoras quanto essa viagem. Tudo começou com 5 dias de ensinamentos ministrados pelo Dalai Lama para mais de 3 mil pessoas em Bodh Gaya _local onde o Buda Shakyamuni alcançou a iluminação. Depois, embarcamos em um ônibus que se embrenhou em uma das regiões mais pobres da Índia. Alguns lugares que visitamos estão totalmente fora das rotas turísticas tradicionais.

Nosso líder nossa jornada foi o Lama Jigme Lhawang, um gaúcho de 33 anos que estudou e foi ordenado no Nepal. Além das informações e ensinamentos em cada parada, coube a ele administrar as energias, esperanças, frustrações e conflitos do grupo.

Imagine uma versão Budista do Caminho de Santiago, com mais de 2.500 anos de idade. Só que ao invés de cruzar cerca de 1.000 km no sul da França e norte da Espanha, o roteiro tem mais de 4.000 km no nordeste da Índia e sul do Nepal. Os peregrinos que faziam esse circuito a pé às vezes demoravam mais de um ano para completá-lo. Isso explica porque nosso grupo fez o roteiro a bordo de um ônibus e às vezes de trem, ao longo de um mês. Nem por isso a viagem foi fácil para nós.

Nada pode ser mais ilustrativo da mistura de inferno com paraíso que vivenciei naqueles dias do que o título do documentário: "Yatra, uma Viagem Externa, Interna e Secreta". A palavra yatra, em sânscrito significa "jornada de transformação". A viagem externa combinava a miséria e a sujeira da Índia com a beleza interior e a elevação espiritual que mesmo os mais céticos sentem ali, no fundo de cada viela suja. A viagem interna mesclava as dúvidas e questionamentos de nossa racionalidade ocidental com os insights e descobertas únicos de meditar em locais com uma energia tão forte. A viagem secreta não vou nem tentar traduzir em palavras. Há 4 anos aguardo ansiosamente a estreia do documentário para reviver seu significado dentro de mim mesmo.

A cineasta carioca Melissa Flores, que além de fazer a peregrinação conosco, dividiu a captação de imagens com o também peregrino Mihahy Freire, dirigiu o documentário. Com 80 minutos de duração, o road movie só pode ser finalizado graças a uma campanha financiamento coletivo no site Catarse.me. Depois da exibição do documentário, a cineasta participará de um debate com a platéia. Veja detalhes da programação no site do Centro Cultural São Paulo.

8 lugares sagrados do Budismo