OPINIÃO
27/05/2015 13:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Dia da Mata Atlântica: refletir sobre o passado e preparar o futuro

A história deste país com nome de árvore é a história da destruição da Mata Atlântica, como mostrou Warren Dean em seu magistral "A Ferro e Fogo".

Derrubar uma árvore para montar a cruz da primeira missa foi o ato inaugural dos portugueses no Brasil. A história deste país com nome de árvore é a história da destruição da Mata Atlântica. E a crise da água é o preço que pagamos por isso.

Definido por decreto presidencial como Dia da Mata Atlântica, o 27 de maio serve como reflexão sobre esse passado e para nos prepararmos para o que vem por aí. Cada árvore, cada fruto, cada semente, são preciosas garantias do nosso futuro.

Nenhuma floresta tem tanta biodiversidade quanto a Mata Atlântica. E nenhuma floresta no planeta está tão ameaçada. Mais de 70% do PIB e da população do Brasil ocupam os domínios do que um dia já foi a Mata Atlântica.

Mesmo assim, o agronegócio acha que não é suficiente, e está entrincheirado no congresso, lutando para flexibilizar a demarcação das terras indígenas e o Código Florestal, aprovado há três anos e que ainda não está sendo plenamente aplicado. Os grandes interesses econômicos de uns poucos sempre prevalecem sobre a qualidade de vida e o patrimônio intangível de todos nós.

Ninguém explicou melhor tudo isso do que Warren Dean, no magistral "A Ferro e Fogo - A História e a Destruição da Mata Atlântica". O livro, que deveria ser currículo obrigatório em nossas escolas, traz uma proposta sombria, mas que se prova cada dia mais necessária:

Não deveria o manual de história aprovado pelo Ministério da Educação começar assim: 'Crianças, vocês vivem em um deserto; vamos lhes contar como foi que vocês foram deserdadas.'?