OPINIÃO
27/02/2015 15:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

De Star Trek a Star Wars: em memória de Leonard Nimoy

No meu culto ao vulcano não estava embutido apenas meu amor por tecnologia, mas também por uma visão espiritual da vida _que acabaria me convertendo ao Budismo quase 40 anos depois de receber os primeiros ensinamentos de Spock.

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O Spock de Leonard Nimoy, que acaba de ser teletransportado para a eternidade, foi meu primeiro ídolo. Eu tinha seis anos em 1968, quando Jornada nas Estrelas começou a ser exibida no Brasil, na extinta TV Excelsior. Quando Guerra nas Estrelas estreou nos cinemas, em 1977, ganhei novos heróis. E nunca compactuei com a disputa que depois surgiu entre fãs das duas franquias: amo Star Trek tanto quanto Star Wars.

A ligação com a Federação de Planetas, entretanto, além de mais antiga é bem mais emocional. Jornada nas Estrelas passava em São Paulo no canal 9, tarde da noite. Apesar de ser muito rígido, meu pai acabou me acolhendo em sua poltrona para ver a novidade. E assim começamos a viajar juntos, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

O seriado tinha cenas fortes para a época, tanto no quesitos terror e violência quanto na sensualidade. Aquela curvilínea mulher verde que enfeitiçou a tripulação da Enterprise no piloto da série, intitulado The Cage, ainda aparece de vez em quando nos meus sonhos...

Em 1968, um ano antes da chegada da Apolo 11 à Lua, a corrida especial entre soviéticos e norte-americanos vivia seus momentos mais emocionantes. Eu estava aprendendo a ler, e montava uma pasta com recortes de jornal com todas as notícias sobre o tema.

Isso aumentou ainda mais o impacto da série, especialmente na minha imaginação de criança. Fiquei instantaneamente apaixonado pelo inovador seriado de ficção científica, que havia estreado apenas dois anos antes nos EUA. Na época, isso era quase que no dia seguinte aqui na terra de Pindorama.

Apesar de ser o protagonista, o musculoso e bonitinho Capitão Kirk nunca foi o meu preferido. Spock resumia tudo que eu queria ser quando adulto: racional, inteligente, emocionalmente equilibrado, espiritualmente sábio e ligeiramente esquisito.

Mal sabia que ali eu estava me condenando a ser um nerd. Mais tarde, na adolescência, acabei não aprendendo a surfar. Mas já em 1980 dava meus primeiros passos na programação de computadores...

Por tudo isso, hoje confesso estar de luto. Deixo abaixo, in memoriam, o último tweet publicado por Leonard Nimoy. Um verdadeiro ensinamento sobre vida, morte e impermanência, à altura dos maiores mestres budistas.

Pensando bem, no meu culto ao vulcano não estava embutido apenas meu amor por tecnologia, mas também por uma visão espiritual da vida _que acabaria me levando a abandonar o materialismo e me convertendo em budista quase 40 anos depois de receber os primeiros ensinamentos de Spock.