OPINIÃO
29/06/2014 15:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Bacanal eleitoral prova que Brasil está tão confuso quanto Seleção de Felipão

Divulgação

O sistema político brasileiro dá nojo. A fotografia final das alianças nacionais e estaduais, chamada de "bacanal eleitoral" pelo prefeito do Rio Eduardo Paes e revelada neste excelente infográfico da Folha, prova que a política no Brasil está tão sem rumo quanto a Seleção de Felipão na partida contra o Chile. Assim que a Copa acabar, ou caso a Seleção seja eliminada antes disso, será que o país vai finalmente acordar para esta eleição?

A negociata está sendo feita em função dos preciosos minutos de TV no horário eleitoral gratuito. Esse é o loteamento que está acontecendo agora, enquanto estamos todos com os olhos grudados nas partidas pela TV. A suruba mais "classica" acontece no Rio, onde três candidatos a governador defendem a reeleição de Dilma: Garotinho (PR), Pezão (PMDB) e Lindbergh (PT). O detalhe picante é que Pezão também dará palanque a Aécio, e Lindbegh a Eduardo Campos. Mas as "puladas de cerca" acontecem em todo o país. É o que mostra o infográfico publicado na Folha e reproduzido abaixo:

folha bacanal eleitoral

Depois das eleições, a negociata continuará, como sempre, em função dos apoios políticos no Congresso. Mas nossos sucessivos presidentes vêm usando sua maioria no parlamento para quê? Alternando no poder desde o final do século passado, PSDB e PT não fizeram nenhuma das reformas essenciais para o Brasil deslanchar _seja fiscal, política ou previdenciária/trabalhista. Foi por falta de apoio no Congresso? E no plano estadual, bem, quem pode ser responsabilizado sobre o nó nos transportes em São Paulo ou na segurança pública no Rio?

O monstrengo criado pela Constituição de 1988 transforma ideologias e biografias em lixo. Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma não governaram seguindo à risca suas convicções, fossem quais fossem: boa parte de seus esforços foi para administrar esse imenso balcão de negócios que chamamos Brasil. O verdadeiro poder foi exercido pelas "bancadas", a massa amorfa de políticos de todos os partidos que vende apoio à Presidência em troco de cargos e liberação de verbas para as emendas ao orçamento que beneficiam seus respectivos currais eleitorais.

E apesar de tudo disso, PT e PSDB têm defensores e detratores igualmente ensandecidos. Especialmente nas redes sociais. Como se a eleição de qualquer um deles fosse a solução dos problemas do país. E a nossa versão da "terceira via", nascida dentro do governo do PT, no qual com Campos e Marina atuaram como ministros, mostra com as recentes coligações estar bem afinada com a lógica da negociata eleitoral.

Não vejo alternativa entre a ignorância ou má fé para quem defende ou ataca qualquer um desses políticos com unhas e dentes. Acreditar que qualquer um deles é santo ou demônio denota falta de perspectiva histórica do que vem acontecendo no Brasil nas últimas décadas, ou esperança de benefício direto com a eleição deste ou daquele candidato.

Acordar para a eleição não significa votar nulo, entretanto. Significa usar o voto, da melhor maneira possível, para desmontar os azeitados "esquemas" que hoje funcionam em Brasília, São Paulo, Rio, BH e outras capitais brasileiras.