OPINIÃO
15/12/2014 15:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Uso político de verba publicitária é malversação de recursos

Publicidade é prestação de contas - e não verba para manobrar a linha editorial das publicações.

Charly Franklin via Getty Images

Publicidade é feita para divulgar algo para o público.

Sei que parece uma obviedade, mas nestes dias parece que o óbvio tem que ser confirmado.

O critério do departamento de mídia das agências é extremamente simples: quanto maior a visibilidade do veículo, mais caro ele custa - porque alcança mais gente. Se paga pela possibilidade de falar com as pessoas, de preferência as que constituem o público-alvo potencial do anunciante.

Claro que este custo mais alto tem uma justificativa perfeitamente lógica: o custo por mil (ou o valor de cada pessoa impactada) se dilui imensamente em veículos de grande audiência.

Isso ajuda a tornar a mídia independente e também a torná-la mais acessível para o público. A TV e o rádio só são gratuitos porque há anunciantes dispostos a financiá-los para falar com o público que alcançam. As revistas e jornais teriam seu custo multiplicado sem anúncios. Idem para as TVs por assinatura.

O blog Conversa Afiada diz que o Governo Federal cortou a publicidade que seria veiculada na revista Veja, da Editora Abril.

Isso é desonesto - e por mais de uma razão.

O governo e suas estatais pertencem ao público. Este têm o direito de ser informado pelo governo - que administra seus recursos - sobre o que os eleitos estão fazendo.

Publicidade é prestação de contas - e não verba para manobrar a linha editorial das publicações.

Quando o governo inverte as regras básicas da publicidade e decide que sua verba de mídia será distribuída por critérios de alinhamento político - e não de audiência - está praticando malversação de recursos públicos.

Simples assim.

Pior: Quando proíbe categorias inteiras de anunciar - produtos para crianças, bebidas alcoólicas, etc.; não apenas está praticando uma forma nefasta de paternalismo como também está tornando a imprensa mais dependente dos recursos oficiais.

Com isso, a grande prejudicada é a população.

O quarto poder - como a imprensa é conhecida - cumpre o papel de vigiar e assim inibir (pelo menos um pouco) as atividades ilícitas do poder.

Foi assim com o caso Watergate.

Foi assim que se desmascarou o falso pretexto para a Guerra do Iraque - desmentido que Saddam Hussein estivesse ligado à Al-Qaeda ou desenvolvesse armas de destruição em massa.

Sufocar economicamente a imprensa livre é uma forma velada e sinistra de censura.

Se o governo devidamente vigiado produz escândalos sem fim, imagine o que faria sem ninguém que o investigasse.

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