OPINIÃO
25/09/2014 10:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Tony Bennett, Lady Gaga, a Verdade e a Beleza

Inaugural Staff Ball - Lady Gaga and Tony Bennett
UAJamie1/Flickr
Inaugural Staff Ball - Lady Gaga and Tony Bennett

No começo de 1980 Tony Bennett estava em uma cidade esquecida perto de Austin, no Texas, onde se apresentaria. O telefone toca em seu hotel e do outro lado está Bill Evans, o pianista mais cool do universo. "Eu fiquei surpreso com o fato dele conseguir me encontrar por lá" - contou Tony em sua biografia "The Good Life" - "e perguntei 'Bill, por que você ligou?' Ele me respondeu em uma voz que parecia desesperada e cheia de desencanto: 'Eu queria te dizer uma coisa: Só pense na verdade e na beleza. Esqueça todo o resto. Concentre-se apenas na verdade e na beleza. Isso é tudo'".

Foi a última vez que se falaram e pouco tempo depois, em 15 de Setembro de 1980, Bill estava morto, levado precocemente pelas drogas - com apenas 51 anos de idade.

Quando recebeu a ligação, a carreira de Tony não estava em seu melhor momento. Ele também batalhava contra seus demônios pessoais - os mesmos que no ano anterior quase o haviam matado com uma overdose de cocaína. Mas, mesmo em meio a este inferno - cercado de dívidas, esquecido pelo público e viciado - ele parecia guiado pelo norte oferecido pelo parceiro em dois álbuns fundamentais: a verdade e a beleza sugeridas por Evans o seguiam nos poucos palcos e estúdios que ainda o recebiam.

Hoje Bennett, o cantor favorito de ninguém menos que Francis Albert Sinatra, vive um momento totalmente diferente. Reconhecido e reverenciado como lenda musical, ele canta o que quer, onde quer, fiel a si mesmo e ao melhor repertório que qualquer intérprete pode desejar.

Com o passar dos anos, Anthony Dominick Benedetto domou o vozeirão e hoje, aos 88 anos(!!!), canta menos - e melhor que nunca.

Seu novo álbum com Lady Gaga não é uma jogada comercial para unir seu nome ao do grande fenômeno pop. Não há nenhuma concessão em "Cheek To Cheek". Gaga dá o melhor de si para honrar a oportunidade de cantar ao lado do mestre - e não decepciona.

Basta ouvir os dois juntos na eterna "But Beautiful", escrita em 1947 por Jimmy Van Heusen e Johnny Burke.

"Love is funny or it's sad

Or it's quiet, or it's mad

It's a good thing or it's bad

But beautiful"

Estas mesmas palavras são o melhor comentário possível sobre o trabalho.

Às vezes triste, às vezes divertido - mas imensamente bonito.

Pode ouvir.

A Verdade e a Beleza continuam lá.

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