OPINIÃO
23/06/2014 15:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Dissonância cognitiva na Copa (ou alguma coisa parecida)

Todo o pessoal que dizia "Se está ruim hoje, imagine na Copa" criou uma expectativa tão baixa para o evento que a realidade, ainda que medianamente insatisfatória, entregou algo menos ruim que o previsto.

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SAO PAULO, BRAZIL - JUNE 19: A member of the MPL 'Free Pass Movement' sprays graffiti during a protest for free transportation and against the overspending of the FIFA 2014 World Cup on June 19, 2014 in Sao Paulo, Brazil. The MPL were behind the mass protests that swept through Sao Paulo last year in response to rising transportation costs. (Photo by Victor Moriyama/Getty Images)

Um estudo publicado pela Psychiatric Servicessugere que mulheres com esquizofrenia podem ter uma melhor adaptação à sociedade. Isso não ocorre porque elas enfrentem melhor a doença, mas sim porque a carga de expectativas sobre elas é menor que aquela que pesa sobre os homens na cultura ocidental.

Ou seja, mesmo nos estudos científicos mais rigorosos, vale a velha regra, já confirmada por estudos de marketing: satisfação é igual a expectativa menos resultado.

A base teórica vem dos estudos de Leon Festinger, que prega em sua "Teoria da Dissonância Cognitiva" que os seres humanos se esforçam para manter a consistência interna. Quando aparece a inconsistência (a tal dissonância, que não deve ser confundida com os acordes do violão de João Giberto), os indivíduos tornam-se psicologicamente angustiados.

Nesse sentido, quem mais ajudou a Copa do Mundo do Brasil foram seus detratores.

Todo o pessoal que dizia "Se está ruim hoje, imagine na Copa" criou uma expectativa tão baixa para o evento que a realidade, ainda que medianamente insatisfatória, entregou algo menos ruim que o previsto.

E está surpreendendo gente como o ex-zagueiro e roqueiro americano Lalas, hoje comentarista de TV, que postou sua foto em Copacabana com a legenda: "Estou no Rio e ainda não fui assaltado". Ou um turista europeu que declarou para os jornais: "Pelo menos o hotel em que me hospedei está em pé".

Mesmo os late shows americanos, que foram unanimemente impiedosos com as Olimpíadas de Inverno de Sochi, estão pegando leve com o Brasil. Estão investindo na ideia de que o país é o coitadinho sem dinheiro explorado pela Fifa, organização cuja popularidade consegue competir apenas com a dos nazistas ou com o pessoal do Boko Haram nigeriano.

Nossa Copa promete ser um sucesso de marketing. Não pelo que fizemos, mas pelas expectativas baixíssimas que foram criadas.

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