OPINIÃO
11/06/2014 10:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Copa x eleição

Getty Images
Brazilian President Dilma Rousseff gestures next to the FIFA World Cup trophy during a statement after a meeting with FIFA President Sepp Blatter on January 23, 2014 at the football's world governing body's heaquarters in Zurich. Rousseff and Blatter met for updates on the preparations for the 2014 FIFA World Cup in Brazil, taking place from June 12 to July 13. AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI (Photo credit should read FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images)

A partida mais importante desta Copa já está em campo e recebendo toneladas de palpites dos milhões de técnicos - amadores e profissionais - disponíveis no país.

O nome do jogo é "qual o impacto de uma eventual vitória do Brasil nas eleições?".

Eu, que já trabalhei como roteirista em diversas campanhas políticas (para os mais diferentes cargos e partidos) e fui professor de marketing em uma das melhores faculdades do país, exijo que meu palpite seja levado tão a sério quanto qualquer outro: ou seja, nem um pouco.

Palpite é loteria.

Nós, marketeiros, sempre funcionamos melhor explicando porque as coisas não aconteceram como previmos do que antecipando tendências.

Feita esta ressalva, vai aqui minha modesta contribuição.

Uma das primeiras coisas que aprendemos na faculdade de comunicação é a "pirâmide de Maslow". Segundo ela, na base das decisões humanas estão as necessidades fisiológicas essenciais - fome, sede, sexo, abrigo, mais sexo e um pouco mais de sexo. Depois, mais alto na pirâmide - e , portanto, ocupando um lugar menor - vêm as necessidades de segurança e estabilidade: ter uma casa, morar em uma rua sem assaltos, contar com um emprego estável, plano de saúde, etc. A estima está no topo da pirâmide, sendo um fator que só ganha relevância quando a base está bem resolvida. Sendo assim, uma eventual vitória brasileira na Copa pode reforçar o chamado feel-good factor e trabalhar contra o nosso já famoso complexo de vira-lata, com um impacto eleitoral favorável à situação.

Mas, obedecendo ao bom e velho Abraham Maslow, isto só é um dado relevante SE as condições econômicas ajudarem.

Pior: uma eventual vitória da seleção, mantido o atual viés da economia, pode até criar uma comparação altamente desfavorável entre o Brasil oficial, que não funciona, e o Brasil real, que dá certo e opera fora das mãos do governo.

Isto dito, fica meu palpite: dentro do quadro atual, de PIB baixo e crescimento da inflação, uma vitória do Brasil na Copa tem impacto zero nas eleições. Nem a situação nem a oposição ganham com isso. Uma derrota, por outro lado, pode erodir ainda mais o que nos resta de autoestima e operar contra a situação.

Ou seja, a campanha do governo, tentando engajar o brasileiro na "Copa das Copas", é um enorme tiro no pé. Não o torna sócio de uma vitória e ainda tende a reforçar seu laço com os fatores negativos extracampo- infraestrutura deficiente, estádios inacabados, aeroportos ruins, segurança.

Na dúvida, se eu fosse a situação, torceria muito pela seleção. No mínimo para não atrapalhar ainda mais o cenário.

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