OPINIÃO
30/06/2015 18:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

O interno e o externo na visita de Dilma Rousseff a Barack Obama

Ao olhar o cenário interno, o encontro com Obama coloca a política externa brasileira na posição de salvaguarda.

Chip Somodevilla via Getty Images
WASHINGTON, DC - JUNE 30: Brazilian President Dilma Rousseff (L) and U.S. President Barack Obama hold a joint news conference in the East Room at the White House June 30, 2015 in Washington, DC. Rousseff and Obama held meetings and the press conference almost two years after Rousseff accepted but then skipped an invitation to the White House due to revelations from former NSA contractor Edward Snowden that the U.S. had spied on Rousseff and other Brazilians. (Photo by Chip Somodevilla/Getty Images)

A visita oficial de Dilma Rousseff aos Estados Unidos é mais um capítulo na relação entre os dois Estados. A "normalidade" político-diplomática entre os dois países, mencionada pela presidente do Brasil, retrata os mais de 100 anos de relações bilaterais.

Entre idas e vindas - política externa mais alinhada ou mais independente - nunca na história das relações Brasil-Estados Unidos houve uma ruptura institucional de fato. Guardadas as nuances, o Brasil sempre flutuou entre autonomia e dependência em relação à potência global. Tais oscilações tiveram (e ainda tem) como pano de fundo o caráter desenvolvimentista do nosso capitalismo tardio.

Na história da política externa brasileira, pós-1930, a necessidade de estabelecer relações mais ou menos próximas com os Estados Unidos era acompanhada do discurso de desenvolvimento nacional.

Após o estremecimento causado pelas denúncias de Snowden que revelaram um poderoso esquema de espionagem da Agência Nacional de Espionagem dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês), o encontro entre Dilma e Obama se insere na procura pelo desenvolvimento socioeconômico do Brasil e evidência a aproximação entre o interno e o externo.

Destacam-se os acordos na área ambiental e energética:

A redução a zero do desmatamento ilegal da Amazônia será o maior desafio do governo brasileiro. Nos últimos anos, houve expressivo aumento no desmatamento. Diante disso, é preciso um esforço ainda maior do governo para resolver a equação crise econômica mais redução do desmatamento e, sobretudo, um olhar especial da sociedade civil.

A promessa de elevarem em até 20% a participação de fontes renováveis na matriz energética de Estados Unidos e Brasil indica que ambos os países trabalharão juntos na COP 21 (dezembro de 2015), em Paris, na busca por medidas concretas na redução da emissão de CO2. Outra vez, a cooperação no campo energético coaduna com o desejo brasileiro de melhorar a sua fonte energética.

Dentre os mais de 10 acordos firmados, destacam-se, além da área ambiental, os acordos em educação. O tema educação é uma das principais bandeiras do governo brasileiro (Pátria Educadora). No encontro entre os presidentes, firmaram-se os acordos para o Programa Diálogos Estratégicos Brasil-Estados Unidos, em parceria entre a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Comissão Para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos e Brasil (Comissão Fulbright). A cooperação estabelece que Brasil e Estados Unidos criem parcerias entre os institutos de pesquisa em desenvolvimento, inovação e tecnologia, entraves históricos para o desenvolvimento nacional.

Por fim, a assinatura do Global Entry Program permite aos brasileiros que viajam com frequência para os Estados Unidos terem um tratamento preferencial no que diz respeito aos tramites de imigração.

A visita de Dilma Rousseff ainda não se encerrou. No entanto, já é possível estabelecer a linha escolhida pela presidente e pelo Itamaraty. Ao olhar o cenário interno, o encontro com Obama coloca a política externa brasileira na posição de salvaguarda. A intrínseca relação entre o interno e o externo alivia, mesmo que por pouco tempo, as pressões econômicas e sociais impostas ao governo Dilma. Até o retorno dos Estados Unidos.

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