OPINIÃO
13/02/2015 15:14 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Água em SP: convocando a comunidade de criativos

A catástrofe da (falta de) água em São Paulo é, com o perdão do trocadilho, um divisor de águas. Pode destapar de vez a Caixa de Pandora da tensão social que permeia a região metropolitana ou pode significar uma oportunidade de ouro para repensar e refazer tudo - processos, lógicas de desenvolvimento, investimentos, relação com os recursos naturais cada vez mais escassos, relações entre as pessoas. Este pesadelo do qual nem todos ainda se deram conta pode se transformar em um sonho de desenvolvimento genuinamente voltado para as pessoas.

David Jakle via Getty Images

A catástrofe da (falta de) água em São Paulo é, com o perdão do trocadilho, um divisor de águas. Pode destapar de vez a Caixa de Pandora da tensão social que permeia a região metropolitana ou pode significar uma oportunidade de ouro para repensar e refazer tudo - processos, lógicas de desenvolvimento, investimentos, relação com os recursos naturais cada vez mais escassos, relações entre as pessoas. Este pesadelo do qual nem todos ainda se deram conta pode se transformar em um sonho de desenvolvimento genuinamente voltado para as pessoas.

Mas isto não vai acontecer por força ou vontade dos governantes. Este sonho e a sua concretização só vão acontecer com a população organizada e mobilizada para forçar uma mudança profunda e permanente nos processos de desenvolvimento urbano. Ou seja, mais do que nunca as ideias e soluções tem de emergir também de baixo para cima.

São Paulo é um poço (lá vem de novo às referências profundas à agua) de criatividade. Está mais do que na hora de os criativos, empreendedores, inovadores, "changemakers", artistas, poetas, porras-loucas trazerem sua contribuição imprescindível para ajudar a destapar as soluções mais criativas e urgentes para este momento emergencial que estamos vivendo.

"Economia Criativa", mostra a tua cara! No estado de quase torpor (por ignorância ou pavor) em que muitos de nós estamos vivendo, é a criatividade e a arte que tem de vir para chacoalhar todo mundo e mostrar que desta catástrofe podemos tirar

O ProjectHub e a Together, por meio de sua iniciativa Social Hackers, estão dando sua contribuição para mobilizar os criativos de suas respectivas redes - e de São Paulo como um todo - para desenvolver e prototipar soluções inovadoras e engajadores para enfrentar a catástrofe que estamos vivendo e sair dela melhores - como pessoas e como sociedade.

Estamos criando a Casa da Ação, um ponto de encontro e co-criação localizado em Pinheiros, mas que vai ser totalmente "open source". Isto significa que o conceito pode ser reproduzido, recriado, transformado e implantado em qualquer lugar. O importante é a "ação" e esta pode acontecer em qualquer lugar. Para marcar o lançamento da primeira Casa da Ação estamos convocando os criativos de São Paulo para o StoryHack #AçãoPelaAgua.

Originalmente, "hackathon" é um evento que reúne programadores, designers e outros profissionais ligados ao desenvolvimento de software para uma maratona de programação. O objetivo é desenvolver um software que atenda a um fim específico ou projetos livres que sejam inovadores e utilizáveis.

No StoryHack, que vai acontecer no fim de semana de 28/02 e 1/03, adaptamos este conceito para ser um "hackathon de storytelling" e produzir durante um fim de semana narrativas em diferentes formatos (vídeos, textos, infográficos, banners, música ou o que mais aparecer) sobre a crise da água.

De um lado, vamos convidar técnicos, ativistas, pessoas comuns para compartilharem informação e dados técnicos, além de suas próprias histórias de vida. De outro, os criativos inscritos no StoryHack vão ser divididos em grupos, pegar estes dados e histórias e usá-los para construir as narrativas.

O que surgir do trabalho de criação coletivo do StoryHack ficará disponível para ser usado/adaptado por quem quiser e servirá para estimular outras ações criativas para enfrentar a crise de água.

O StoryHack faz parte de um chamado maior da Casa da Ação para que todos os cidadãos se comprometam com uma ação concreta pela água. Pode ser qualquer uma, de juntar os vizinhos para ir à sub-prefeitura local cobrar um plano de contingência à criação de um esquema de distribuição solidária de água, de distribuir folhetos com informações relevantes sobre consumo de água a mobilizar os colegas da escola para prototipar soluções inovadoras, de organizar um sarau pela água a trocar a válvula de descarga gastadora por uma que ajude a economizar.

Enfim, qualquer ação será benvinda, especialmente se ajudar a mobilizar a comunidade. Todos os que aceitarem o desafio e se comprometerem serão convidados a contar suas histórias, que serão divulgadas coletivamente em 22 de março, Dia Mundial da Água.

Juntos, criativos, ativistas, cidadãos comuns, vamos mostrar que somos capazes de extrapolar a criatividade e a solidariedade para além dos nossos círculos mais próximos, vigiar e pressionar as autoridades responsáveis e ajudar a mudar o rumo de desenvolvimento da região metropolitana de São Paulo.