OPINIÃO
04/08/2015 15:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Tratado filosófico sobre o LinkedIn (ou o que quer que seja isto)

A Name Like Shields Can Make You Defensive/Flickr
Members of the first place elite centipede team, sponsored by LinkedIn, after finishing the 2010 Bay to Breakers race Sunday, May 16 in San Francisco. Courtesy: Linked In

Hoje vou pedir licença aos leitores criativos para centrar um pouco a discussão nesta própria blogueira que vos fala.

Outro dia estava atualizando o meu LinkedIn e fui assombrada por um questionamento dos mais filosóficos: quem sou eu para dizer que sou especialista em comunicação e indústrias criativas? Qual é o espaço que eu ocupo no mundo que me autoriza a falar uma coisa dessas? E mais, por que eu tenho que escolher entre um interesse e outro para atrair recrutadores e para afirmar ao mundo do trabalho o que eu estou pronta a oferecer? Quando é que estes mesmos selecionadores estarão aptos para receber um profissional cujo perfil não se explica em apenas uma linha?

Como jornalista, eu tendo a ser objetiva, não me entendam mal. Mas às vezes, a vida avança, e quando você vê, reuniu uma série de competências que te interessam e, para além disso, te definem como ser profissional e humano. Eu, por exemplo, gosto de pensar que estou traçando um caminho que me aproxima de uma entendedora de comunicação. Ora, venho estudando e trabalhando as várias nuances deste universo há alguns anos. Quando vejo uma empresa passar por uma crise, já penso nas estratégias que a equipe de comunicação precisa adotar naquele exato momento. Me interesso por grandes planejamentos, por enxergar uma situação em um contexto maior de marketing e branding e quando vejo alguém importante falando besteira já penso imediatamente no que eu poderia fazer para treiná-lo a não repetir tamanha asneira.

Porém, apesar de eu ser altamente entrelaçada a este universo a ponto de não saber onde termina eu e começa ele, minha paixão são as artes e as indústrias criativas. Admiro empreendedores, seu mundo me atrai, e estou sempre de uma forma ou de outra muito envolvida com eles. Escrevo sobre eles sempre tentando chegar à sua maior motivação e atinjo este objetivo com mais frequência do que poderia prever. Posso entender as linhas básicas da economia criativa e levar outras pessoas a pensar sobre elas, ainda que meu conhecimento nesta área seja mais teórico do que prático. E acima de tudo isso eu, Renata Reps, sou e sempre serei um ser cuja meta central na vida é escrever, sempre, seja lá o que for e seja em que meio ou canal for, onde me quiserem eu estarei lá de caneta na mão, e até onde não desejarem muito, porque isso me ajuda demais a viver a vida.

Mas eu sinto que os espaços humanos de conviência e atuação não estão preparados para pessoas que são coisas demais. Principalmente se essas coisas que elas são não estejam estreitamente ligadas entre si. E eu não estou dizendo isto do alto de um ponto de vista de superioridade, "oh eles não sabem o que estão perdendo porque somos os melhores", não não, acho inclusive que ter integrantes focados é muito mais fácil para qualquer empresa, digo que, infelizmente para mim, não consigo descrever o que eu faço bem com tanta simplicidade. E o que eu ganho com isso? Nada, porque os recrutadores nunca vão me encontrar no LinkedIn (não que eu esteja querendo ser achada, mas as melhores discussões filosóficas são aquelas que não têm motivo).

Mas Renata, vocës podem dizer, que pensamento mais retrógrado, que criativo hoje em dia vai se importar com o LinkedIn? E eu vos direi, caros leitores, que sobretudo aqueles cuja grande ideia de vida seja se jogar em países o mais distantes possível uns dos outros. São os mesmos que passarão a vida a colecionar aventuras e reduzir suas expectativas, pois a coisa de não se apegar a canto algum não permite que um empreendimento duradouro e persistente seja construído - me perdôem os nômades digitais, mas a verdade é esta.

Porque eu, como tantos outros que reúnem habilidades não associadas em prol de um bem comum, tendo a buscar sempre o próximo desafio, deixando lastros e pegadas rasas por onde passo. Podem até ser marcantes, estes traços, mas assim que se firmam, são levados pelo vento. E todo mundo sabe que assim podem até ser polinizadas florestas inteiras, mas não serão construídas pirâmides do Egito. E quer saber? Tudo bem, contato que aos 30 a gente já tenha uma ideia melhor sobre quem somos e que espaço ocupamos no mundo que nos autorize a dizer esse tipo de coisa e agir assim. E que esteja prontinho para não ser encontrado por recrutadores ávidos por respostas rápidas.

Então, um brinde a nós.

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