OPINIÃO
26/03/2015 11:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Intolerância, essa velha senhora

O avanço do partido de direita Likud nas eleições de Israel põe um ponto final nas mais do que frágeis tentativas de paz com a Palestina. E a paz na Faixa de Gaza só será conquistada com muita guerra.

Reprodução Majdi Fathi/NurPhoto/Corbis

Deus x diabo. Caim x Abel. Egípcios x judeus. Persas x Gregos. Cristão x muçulmanos. Muçulmanos x ateus. Corinthians x Palmeiras. Puta x moça de família. Branco x negro. Alfajor x brigadeiro.

O avanço do partido de direita Likud nas eleições de Israel põe um ponto final nas mais do que frágeis tentativas de paz com a Palestina. Mas, a despeito das trágicas consequências na região, me pergunto se existe de fato paz em algum lugar desta Terra.

Subam os muros, afastem os inimigos, fume na rua, mas, talvez se for perto de mim, eu também ache ruim. Essa terra é minha, o pulmão é meu. Ninguém põe a mão. A intolerância é uma senhora ainda mais velha do que a corrupção. É tão cheia de rugas, tão feia, que quase não olhamos pra ela. Aliás, achamos que ela nem existe mais. Daí o perigo.

A paz na Faixa de Gaza só será conquistada com muita guerra. Mas não com a que promove genocídios, dissemina o horror e trabalha na base da retaliação - um míssil lá, outro cá. É uma guerra íntima, interna, um exercício constante de vigilância. O não querer sair do carro e bater no motorista da frente porque ele parou no farol amarelo - e você tinha certeza de que dava para passar.

Enquanto perdermos tempo vigiando o vizinho, culpando seu Deus, querendo seu chão, fiscalizando seu som (funk, não!!!), não existirá diálogo. Enquanto houver certeza de que algo é melhor pra mim e, logo, para o mundo, o conflito será instaurado.

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