OPINIÃO
27/04/2015 18:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

A insustentável leveza do amor

Toda vez que acaba um relacionamento, seja por qual motivo for - alguém se apaixonou por alguém, alguém cansou, alguém surtou, alguém morreu -, você não perde apenas o objeto do seu amor: perde também toda constelação de estrelas que orbitava aquela galáxia.

akshay moon/Flickr
Solitude :sureal effect, photo manipulation , image compositing , photoshop design , wallpaper , montage , collage , design , ad concept , background, wallpaper

Toda vez que acaba um relacionamento, seja por qual motivo for - alguém se apaixonou por alguém, alguém cansou, alguém surtou, alguém morreu -, você não perde apenas o objeto do seu amor: perde também toda constelação de estrelas que orbitava aquela galáxia.

As primeiras baixas secundárias acontecem no campo da amizade. Você pensa que todo mundo vai estar lá para te dar aquela força, quando você mais precisa. E vem uma hashtag #sqn do tamanho da lua. Não é que existam culpados ou seres cruéis, embora, vamos combinar, seja difícil entender como aquelas pessoas que pareciam tão amigas conviviam com você apenas por tabela - alô, ego ferido!

A verdade é que no começo da vida pós-apocalipse alguns amigos em comum até tentam manter a conexão, dão um telefonema aqui, um recadinho por face acolá. Mas é só passar o tempo para o laço, que parecia tão forte, se afrouxar. Uns deixam de participar da sua vida, porque te ver lembra o passado (no caso de quem morreu), outros tomam as dores de uma das partes do casal, e tem ainda a turma dos que ficam constrangidos, sem saber como agir e preferem se distanciar a se pronunciar. De um jeito ou de outro, sobra um vácuo, onde antes sobrava amor.

Com a família da sua ex-alma gêmea não é diferente. Você pode passar uma, duas décadas casada com alguém e acreditar que aquela família era a sua também. Não, não é. Sem uma das pontas, você realiza que era apenas a mulher de fulano. Sem identidade, sem link real com aquelas pessoas que pareciam, bom, suas pessoas.

Além de ter que lidar com toda falta, você tem que lidar com uma série de sentimentos: sensação de abandono, incredulidade e, para mim, a pior de todas, a ideia de que nada era de verdade, que você perdeu tempo, energia e almoços de domingos na companhia das pessoas erradas.

Mas, baixada a poeira, você percebe que não tem muito jeito e que é assim com todo mundo. A vida está sempre em constante mudança, uns vêm, outros vão, tipo rodoviária mesmo. Nem sempre vai ter DR, muito menos aviso prévio. Também não existe seguro-desemprego para amor. É segurar o rojão e lembrar a frase do poeta: "que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".