OPINIÃO
08/06/2016 12:59 -03 | Atualizado 08/06/2016 12:59 -03

Coletivo negro estreia 'Ida', espetáculo que adentra o universo feminino negro

Espetáculo faz parte do conjunto de experimentos que o grupo propõe em seu atual projeto, e reflete sobre o universo simbólico e social que permeia a construção da identidade da mulher negra contemporânea.

Wallace Andrade

Espetáculo faz parte do conjunto de experimentos que o grupo propõe em seu atual projeto, e reflete sobre o universo simbólico e social que permeia a construção da identidade da mulher negra contemporânea.

O Coletivo Negro estreia seu novo experimento cênico "IDA", que nasce de uma proposta da atriz Aysha Nascimento de trazer à cena as inquietações, conquistas e perdas da mulher negra contemporânea.

Para isso, a artista chamou Flávio Rodrigues, também do Coletivo Negro, para dirigir o experimento e uma equipe de mulheres que vem marcando a cena paulistana com seus trabalhos e discursos: a cineasta Renata Martins (Empoderadas), que estreia na dramaturgia, em processo colaborativo com o Coletivo Negro; a bailarina Verônica Santos, a cenógrafa e artista gráfica Nina Vieira (Manifesto Crespo), a atriz e figurinista Débora Marçal (Cia Capulanas de Artes Negras/Preta Rainha), a atriz-MC e diretora musical Dani Nega, a fotógrafa e iluminadora Dani Meireles; as musicistas Fefê Camilo e Ana Goes, e a jornalista e atriz Maitê Freitas, que aqui assina a assistência de processo.

Em cena a atriz paulista Aysha Nascimento e a bailarina mineira Verônica Santos dão vida à Ida: mulher e jovem que a partir da construção de um projeto arquitetônico ousado, traça pontos e contrapontos com a possibilidade de reconstrução da humanidade das mulheres negras. Em sua narrativa, Ida se lembra dos momentos de invisibilidade que viveu no período em que cursou a universidade. Ao passo em que se questiona, Ida reconstrói sua identidade e religa-se às suas ancestrais.

Flávio Rodrigues, na direção do espetáculo, propõe um jogo entre dramaturgia, narrativas corporais e musicais, construindo uma cena que adentra o universo da dança teatro e do jazz, com toda a potência de corpos que revelam sua dimensão histórica e política.

A dramaturgia traz duas atrizes dividindo a mesma personagem, Ida, que tem a arquitetura como pano de fundo para refletir sobre o racismo estrutural e questionar os lugares nos quais as mulheres negras são sistematicamente e historicamente colocadas na sociedade. Ao apresentar um projeto arquitetônico contemporâneo, é questionada sobre a ausência do quarto de empregada em sua planta. Diante deste conflito, a personagem caminha numa jornada de desconstrução e evocação do legado dos movimentos negros feministas: o empoderamento.

Aysha Nascimento lembra que o experimento nasce do desejo de compartilhar a criação com outras artistas negras as quais admira: "as artistas envolvidas são mulheres que militam e que fazem de sua arte um meio de expressão e desconstrução do machismo e racismo estruturais. Não foi fácil se deparar com tantos conflitos e com estes lugares nos quais tentam impor, a nós, mulheres negras", reflete a artista. Para subsidiar a pesquisa e construção do espetáculo, o Coletivo realizou três encontros com mulheres negras de todos os segmentos sociais, políticos e culturais, entre elas a filósofa e Secretária Adjunta dos Direitos Humanos Djamila Ribeiro, as psicólogas Maria Lucia da Silva e Clélia Prestes.

O experimento abre as portas para o público do dia 2 ao dia 12 de junho, na Casa de Teatro Maria José Carvalho | Sede da Cia do Heliópolis.

IDA

Casa de Teatro Maria José Carvalho

Rua Silva Bueno 1523 (próximo ao metrô Sacomã)

de 2 a 12 de junho.

Quinta a sábado às 21h

Domingo às 19h, entrada gratuita.

60 lugares - ingressos distribuídos 1h antes.

Entrada Gratuita

Atrizes - Criadoras: Aysha Nascimento e Verônica Santos

Dramaturgia em processo colaborativo com o Coletivo Negro: Renata Martins.

Musicistas: Ana Goes e Fefê Camilo.

Direção Geral: Flávio Rodrigues

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