Opinião

YouNow: A moda é fazer streaming da vida na internet

Se para George Orwell o Big Brother, de "1984", era uma figura opressora, nos dias atuais a ideia de ser observado faz a cabeça de milhões de pessoas em todo o mundo. O YouNow, cujo número de usuários únicos por mês é de mais de 100 milhões, é prova dessa nova onda que chega à internet: fazer streaming da própria vida.
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Se para George Orwell o Big Brother, de "1984", era uma figura opressora, nos dias atuais a ideia de ser observado faz a cabeça de milhões de pessoas em todo o mundo. O YouNow, cujo número de usuários únicos por mês é de mais de 100 milhões, é prova dessa nova onda que chega à internet: fazer streaming da própria vida.

O YouNow, que pode ser acessado através de um navegador ou mesmo por meio de aplicativos para iOS e Android, é um catálogo de streamings realizados a partir de smartphones e webcams espalhadas pelo mundo. Os "posts" são categorizados por hashtags e a home do serviço indica os usuários mais populares da plataforma.

O serviço funciona da seguinte maneira: você cria uma conta e começa a fazer streaming do que quiser. Há quem conte piadas, outros cozinham, cantam, atuam, discorrem sobre um assunto qualquer. Enfim, quase nada é proibido. Quer dizer: conteúdo erótico ou sexo, algo quase inevitável em um ambiente de tamanha interação, não são permitidos.

O grande lance do YouNow é que quem ganha popularidade na rede entra para o programa de parcerias, através do qual os telespectadores podem contribuir com dicas e presentes. Em resumo, a turma gasta tempo e $$$$$ para repassar moedinhas virtuais aos donos dos canais. Quanto mais fãs, mais bufunfa no bolso. Pelo menos o pacote de dados sai na faixa, garantem alguns dos usuários que participam do programa de parcerias.

A ideia por trás do YouNow é antiga, como mostra Orwell em seu livro da década de 1940. Adi Sideman, CEO do serviço, começou a amadurecer o seu projeto anos mais tarde, nos anos 90, enquanto estudava arte e tecnologia em Nova York. Nessa época, um interessante experimento acontecia na cidade graças ao entusiasta John Harris, um nerd americano cheio da grana que decidiu criar um terrário para humanos. O local era repleto de câmeras e as imagens eram transmitidas online 24 horas por dia.

O resultado do experimento - do qual Harris e sua noiva também participaram - acabou virando um documentário, "We Live in Public", que foi exibido no Brasil durante o Festival do Rio, em 2010. No filme, a diretora Ondi Timoner explora 5 mil horas de experiências virtuais que envolveram a participação de dezenas de nova-iorquinos. O resultado é um pouco perturbador, eu confesso.

Se o YouNow dita uma tendência é difícil prever, no entanto a popularidade de um serviço como esse mostra o quão dispostas as pessoas estão a se expor na internet. Essa onda do streaming, caros, nem o genial Orwell conseguiu antecipar.