Opinião

Por que a capa de FIFA com jogadoras é importante para os games

A EA avisou que teria uma surpresa para a edição 2016 de "FIFA", um dos games de futebol mais populares do planeta. Ninguém duvidou. Nova mecânica? Gráficos mais realistas? Novo modo de jogo? Não!
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A EA avisou que teria uma surpresa para a edição 2016 de "FIFA", um dos games de futebol mais populares do planeta. Ninguém duvidou. Nova mecânica? Gráficos mais realistas? Novo modo de jogo? Não! A surpresa da EA foi a inclusão de mulheres, jogadoras de futebol, atletas de 12 seleções (inclusive Brasil), no título, uma potência no mercado global.

A novidade fez barulho por aí e ganhou destaque, não só na mídia especializada, como também nos veículos que cobrem esportes. No geral, a resposta à iniciativa da Electronic Arts foi positiva, mas é claro que alguns trolls fizeram questão de afirmar que a decisão foi errônea usando argumentos machistas e totalmente inadequados para o século XXI.

Segundo David Rutter, produtor executivo da franquia, a ideia é antiga, mas demorou para ser implementada por uma limitação tecnológica. Não caí nessa, é claro. Entendo perfeitamente a dificuldade em reproduzir com fidelidade passes femininos, modelo corporal e até (ai gente!) movimento do cabelo, mas a "desculpa" de limitação tecnológica realmente não cola...em 2015!

Mesmo sabendo que trata-se de uma estratégia de PR, achei pertinente os comentário de Rutter sobre sua decisão. Segundo o produtor, o okay para o projeto surgiu porque suas filhas, fãs de "FIFA", sempre o questionaram por não encontrar jogadoras mulheres como opção no game. A reclamação das meninas fazem todo sentido e explico logo o porquê.

Crianças seguem modelos e, especialmente nos games, onde você "incorpora" um personagem, encontrar modelos compatíveis com seu perfil é importante e saudável. Essa é a luta de mulheres em todo o setor que brigam para que o estereótipo feminino nos jogos seja diferente de garotas sensuais, com pouca roupa e coadjuvantes - nunca protagonistas, é claro.

Futuros atletas, em especial, buscam referências. Por isso, garotas fãs de futebol, desejam ver suas atletas favoritas em "FIFA". Essas meninas adoram o game e é importante para elas encontrar suas jogadoras como opção. Essas mulheres, como outras milhares em outras categorias esportivas, são espelhos para uma geração em formação e merecem seu espaço.

A decisão da EA não só responde petições online que pediam a inclusão de equipes femininas (recomendo ler os comentários, especialmente das mães, que explicam como isso é importante para suas filhas), como pode ser considerado um importante passo para a igualdade de gênero no mercado de games, que ainda sofre - como na indústria da tecnologia - com o machismo.

O futebol feminino luta por espaço. As atletas continuam ganhando menos do que seus colegas homens e a categoria busca igualdade em termos de reconhecimento e investimento. A iniciativa da EA é, portanto, relevante para os games e também para o esporte. Ela cumpre com o papel social dos jogos eletrônicos, que retratam - para o bem e para o mal - a nossa sociedade.

E se a EA acertou em incluir equipes femininas em "FIFA 16", a empresa ganhou de "perfect" ao colocar as atletas ao lado de Messi nas capas do jogo em três mercados: EUA, Canadá e Austrália. Essa atitude mostra o protagonismo da mulher em duas importantes esferas: game e esporte. O Brasil, infelizmente, ficou de fora. Sigo na torcida para que Marta ganhe seu espaço numa próxima edição do jogo. Afinal, o País do futebol (feminino) merece essa homenagem! \0/


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