OPINIÃO
13/01/2015 11:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Olhe ao redor: livros impressos são cool e ainda estão na moda

Por aqui, Kindle e outros e-readers não "vingaram". Você até encontra uma ou outra pessoa lendo o seu e-book no ônibus e metrô, mas elas são minoria. Na Inglaterra testemunha-se um movimento similar: enquanto as vendas de livros impressos aumentam, as vendas de Kindle caem.

Recentemente, fui a uma livraria para comprar um livro impresso ("A Desumanização", de Valter Hugo Mãe #ficaadica). Normalmente, leio no Kindle, mas desta vez fiquei com vontade de folhear um livro, como fazia frequentemente no passado. Olhei ao redor, na rua e no metrô, e reparei que aquela previsão de que os e-books iriam acabar com os livros impressos talvez ainda esteja longe de acontecer. Pelo menos no Brasil.

Por aqui, Kindle e outros e-readers não "vingaram". Você até encontra uma ou outra pessoa lendo o seu e-book no ônibus e metrô, mas elas são minoria. Na Inglaterra testemunha-se um movimento similar: enquanto as vendas de livros impressos aumentam, as vendas de Kindle caem. O cenário vai ao encontro de uma pesquisa da Nielsen, de 2014, que afirma que 67% dos livros comercializados nos EUA são impressos.

Outro dado curioso divulgado pela Nielsen, em dezembro passado, é de que os adolescentes heavy users de novas tecnologias preferem os livros impressos aos e-books. A razão: os jovens costumam emprestar livros aos seus amigos, algo que normalmente é mais fácil de fazer com exemplares impressos. Percebi isso ao ir à pré-estreia de "A Culpa é das Estrelas" -- não me julguem! -- em um cinema frequentado por adolescentes aqui em São Paulo. Todos eles carregavam consigo uma cópia do livro impresso e não um Kindle (o filme foi inspirado na obra homônima do autor americano John Green).

Passar a ler e-books nunca me assustou, uma vez que sempre fui entusiasta das novas tecnologias, mas a ideia de um mundo sem livros impressos aflige muita gente por aí. O fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, por exemplo, produziu uma série, "The Last Book", na tentativa de eternizar o hábito de ler livros impressos no metrô. As fotos fazem parte de uma exposição em cartaz na galeria Julie Saul, em Nova York.

Durante semanas, Gerritsen usou o metrô nova-iorquino como seu estúdio de trabalho. Ele fotografou passageiros que ao invés de acessar o Facebook ou Instagram em seus smartphones liam livros para passar o tempo entre um destino e outro. "É o que acontece. Tudo está mudando, mas há um belo fenômeno desaparecendo. É por isso que achei necessário documentar", explicou o fotógrafo à "Slate".

Restar saber agora se Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, montou o seu Clube do Livro, um hábito bastante comum na era de ouro das obras impressas, pensando no formato digital ou de papel. Seria Zuck um adepto do Kindle ou será que ele está lendo "O fim do poder", de Moisés Naím, em uma edição impressa? Não sei, mas eu acho que desta vez eu aposto no papel!

Siga a gente no Twitter

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.