OPINIÃO
16/01/2015 11:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Ninguém descobriu uma função para o Glass. Nem o Google

O conceito do Glass não vai virar lenda. O Google vai repensar a sua função e, é claro, encontrar necessidades reais para o gadget. Quando a Apple lançou o iPad, em 2010, desconfiava-se de que o produto não teria muita razão para existir, uma vez que ele fazia tudo o que um smartphone já podia fazer muito bem. O que Steve Jobs tinha descoberto, no entanto, é que a experiência de ler e jogar um game no celular não era a mais completa para o usuário. Bingo! O tablet virou o gadget perfeito para ler notícias e um aparelho incrível para jogar games casuais.

O Google anunciou por meio do Plus que o Glass, um de seus projetos mais hypados, está saindo do Google X, o laboratório onde são "criadas" as principais apostas tecnológicas da companhia, para fazer parte da divisão comandada por Tony Fadell, "o pai do iPod" e fundador da Nest, empresa de termostatos inteligentes que foi adquirida pelo gigante de buscas há um ano. O programa Explorer, através do qual desenvolvedores podiam comprar o aparelho por US$ 1,5 mil, será encerrado na próxima semana.

O movimento, vendido pela empresa como natural, dá fim ao projeto como o conhecemos e entra em uma nova fase, em que Fadell e Ivy Ross, a gerente do projeto, vão trabalhar juntos para transformar o gadget em um produto com mais apelo para o grande público. É muito provável que o protótipo ganhe um novo design e também, eventualmente, funções mais definidas.

Seria leviano dizer que o Glass não foi inovador e uma grande aposta do Google no promissor setor de wearables. O que acontece, contudo, é que não se sabe muito bem para que os óculos inteligentes podem servir. Sua câmera sempre foi um dos recursos mais elogiados pelos desenvolvedores, bem como sua ferramenta de mapa, mas essas são funções muito bem resolvidas nos smartphones.

Sergey Brin, cofundador do Google, é entusiasta da ideia, embora tenha sido visto na região do Vale do Silício sem o acessório -- Brin normalmente usava os óculos em todas as suas aparições públicas, inclusive quando passeava pelo metrô de Nova York. O aspecto futurista do gadget, que até pode agradar a mim, a você e aos nossos amigos fãs de ficção científica, não é exatamente o que as "pessoas normais" procuram para usar no dia a dia. E essa é a principal razão pela qual o ex-Apple Tony Fadell foi convocado para liderar o projeto.

O conceito do Glass não vai virar lenda. O Google vai repensar a sua função e, é claro, encontrar necessidades reais para o gadget. Quando a Apple lançou o iPad, em 2010, desconfiava-se de que o produto não teria muita razão para existir, uma vez que ele fazia tudo o que um smartphone já podia fazer muito bem. O que Steve Jobs tinha descoberto, no entanto, é que a experiência de ler e jogar um game no celular não era a mais completa para o usuário. Bingo! O tablet virou o gadget perfeito para ler notícias -- eu, particularmente, prefiro o Kindle para livros -- e um aparelho incrível para jogar games casuais.

Esse é o caminho do Glass. A equipe que vai transformar o protótipo em um produto não economizará esforços para criar um aparelho desejado por todos os públicos e não somente por nichos. A principal pergunta que Fadell e Ivy devem aprender a responder nos próximos meses é "para que serve o Glass e o que posso fazer com esse gadget que é impossível realizar a partir de outro dispositivo?". Como qualquer fã de bugigangas tecnológicas eu não vejo a hora de saber o que deve vir por aí. Vida longa ao Glass.

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