OPINIÃO
27/01/2015 11:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Híbrido de Glass e Oculus Rift, HoloLens pode salvar Microsoft

Talvez esse seja o primeiro grande produto assinado por Satya Nadella, que assumiou a posição de CEO da empresa depois que Steve Ballmer "pediu pra sair". Ballmer, inclusive, deixou a empresa justamente por não olhar adiante e por não conseguir fazer da Microsoft uma empresa de ponta e de vanguarda em um mercado em que a inovação tem que estar no DNA de qualquer companhia.

O Windows que me perdoe, mas a grande inovação da Microsoft nos últimos anos foi mesmo o Kinect, o sensor de movimento que revolucionou o mercado de videogames em meados de 2010. Diferente do que se viu em outras ocasiões, o projeto Kinect saiu do papel e deu à companhia um novo respiro diante de tanta concorrência no setor da inovação. O mesmo deve acontecer com os óculos inteligentes HoloLens. Mas para isso a Microsoft vai ter que correr. E muito.

A indústria da tecnologia é cruel. Quem dorme no ponto, perde espaço para o vizinho, que não hesita em lançar a mesma ideia mais bonita e mais barata. E esse é o segredo da inovação. Nem o Kinect e nem o iPad foram projetos inéditos, que nasceram do nada, de um insight. Sorry Alex Kipman e Steve Jobs, mas os conceitos de sensor de movimento e tablet já estavam sendo testados há tempos em outros laboratórios, sejam eles de empresas ou de universidades. O problema, é claro, era design e preço. E nisso Kipman e Jobs foram brilhantes. Souberam usar a evolução tecnológica a seu favor e transformaram projetos experimentais em produtos de sucesso. Clap! Clap!

Agora a Microsoft está com outro trunfo na mão: o HoloLens, um híbrido entre Glass e Oculus Rift. Talvez esse seja o primeiro grande produto assinado por Satya Nadella, que assumiou a posição de CEO da empresa depois que Steve Ballmer "pediu pra sair". Ballmer, inclusive, deixou a empresa justamente por não olhar adiante e por não conseguir fazer da Microsoft uma empresa de ponta e de vanguarda em um mercado em que a inovação tem que estar no DNA de qualquer companhia.

Lembro bem de uma incrível reportagem da "Vanity Fair", publicada em 2012, que destacava essa limitação de Ballmer. Segundo a matéria, a Microsoft não conseguia tirar do papel qualquer novo projeto em razão de sua estrutura engessada e de sua hierarquia burra. Para mudar o cenário, Nadella tem um grande desafio: deixar o preconceito de gênero de lado e criar uma estrutura simpática à inovação para transformar ideias em produtos. Talvez o HoloLens seja o primeiro fruto desse trabalho. Talvez.

O HoloLens foi anunciado na semana passada durante a apresentação do Windows 10. O projeto foi desenvolvido em segredo, em Redmond, sede da Microsoft. O brasileiro de Curitiba (PR), Alex Kipman é um dos cientistas envolvidos na concepção dos óculos inteligentes. Ele é conhecido como o "pai do Kinect". Não à toa, o HoloLens foi mostrado à imprensa, com direito a hands on, dias depois do Google anunciar uma completa reestruturação no projeto Glass. A Microsoft foi esperta e soube aproveitar a oportunidade. Agora transformar o protótipo em um produto final são outros quinhentos.

Não tenho dúvidas de que o HoloLens pode dar um novo fôlego à Microsoft e, eventualmente, ditar as regras de um mercado que ainda está se moldando. É importante, contudo, que a empresa entregue o produto. Em 2011, durante uma CES, a gigante mostrou ao mundo o IllumiRoom, um projetor futurístico que torna imersiva a experiência de jogar videogame. Batizado à época de "Kinect do futuro", o projeto não saiu do papel e desde então não escutamos mais falar da ideia. O mesmo aconteceu com o protótipo do tablet. É imprescindível que a história não se repita e que o HoloLens seja lançado em breve. Mas para isso, a Microsoft vai ter que correr. E muito.

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