OPINIÃO
10/07/2015 10:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Facebook, Apple e Twitter miram notícia para conquistar jovens

A ideia das gigantes é oferecer uma interface amigável, intuitiva e funcional para que a leitura de uma notícia aconteça a partir de uma perspectiva estética mais adequada ao meio.

Onde você lê notícias? Não precisa ficar envergonhado em responder Facebook. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, 62% dos brasileiros de 16 a 24 anos usam seus smartphones para compartilhar notícia. Esse "share", acredite, é dado dentro de alguma rede social. Facebook, Apple e Twitter já se tocaram de quão importante é o material jornalístico para seus usuários e anunciaram projetos ousados que dividem opinões - especialmente entre os próprios jornalistas.

As empresas de cunho tecnológico desenvolveram novas soluções para a exibição de conteúdo jornalístico a fim de estimular o consumo de notícias em plataformas móveis. Uma pedra no sapato para muitos veículos, que "adaptam" para smartphones e tablets versões de seus sites. A ideia das gigantes é oferecer uma interface amigável, intuitiva e funcional para que a leitura de uma notícia aconteça a partir de uma perspectiva estética mais adequada ao meio.

Em resumo, Facebook e Apple querem ensinar aos veículos como exibir uma notícia e instigar o usuário a se interessar pelo conteúdo. E isso, é claro, sem o uso de LOL cats, listas e manchetes-isca. O Instant Article, do Facebook, não só inova esteticamente, como também oferece aos veículos de informação um novo modelo de negócio de monetização. Se a publicidade no conteúdo for negociada pelo próprio veículo, ele não precisa compartilhar qualquer valor com a rede social. Agora se a rede social vender a publicidade, o dono do conteúdo detém 70% do valor negociado. Em tempos de crise, garanto, a proposta não poderia ser mais atrativa para o setor.

O conteúdo do Instant Article é pensado para o projeto e a ideia é que esse material seja exclusivo e multimídia. Já o News, da Apple, quer popularizar um conceito concebido, lá atrás, por um aplicativo chamado Zite (que eu adooooro e super recomendo!). Além de uma nova experiência de leitura, o software usa inteligência artificial para aprender os hábitos do usuário e sugerir conteúdo relevante e de seu interesse. Por ora, 20 empresas, como Condé Nast, ESPN, The New York Times, Time Inc., CNN e Bloomberg, já abraçaram a ideia de distribuir seu conteúdo com a ajudinha da Apple.

Mais recentemente, o Twitter entrou na onda com um recurso para facilitar o acesso à notícia. Batizado Lightning, o projeto reúne especialistas que vão fazer uma curadoria do que estiver sendo compartilhado no microblog. A partir desse filtro editorial, os usuários do serviço vão conseguir acompanhar fatos sem a necessidade de sair da plataforma. O time de editores já está sendo formado e, segundo a oferta de trabalho, teremos um especialista sugerindo conteúdo local para o público brasileiro.

Todas as iniciativas têm instigado discussões - algumas bastante acaloradas - acerca do papel dessas empresas no setor editorial. Questiona-se a transparência do conteúdo, a credibilidade do que será compartilhado nesses serviços e até se as companhias, no futuro, vão competir com os veículos de imprensa produzindo material "in house". Por ora, eu sou do time do Jeff Jarvis. Em entrevista ao jornal "El País", o jornalista e analista de mídia foi bem realista: "Temos que ir até os leitores e não esperar que eles venham até a gente".

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Posted by Instant Articles on Thursday, May 14, 2015