OPINIÃO
25/02/2014 12:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Etnografia da #selfie: mulheres de SP postam as fotos 'mais extremas' do mundo

Capricha na #duckface, lápis no olho, decote provocante, coque no alto da cabeça e agora sorria! Fama & glória chegarão pelo botão curtir. O que você não sabia é que virou gráfico num site de estatísticas.

Capricha na #duckface, lápis no olho, decote provocante, coque no alto da cabeça. Agora pare: pegue no bumbum, pegue no compasso, pegue no bumbum. E então sorria! Tente mais uma de óculos escuros. Pronto, são apenas mais 30 segundos até escolher o filtro e "instagramizar" seu #egoshot. Fama & glória chegarão pelo botão curtir. E você virou gráfico: começou a pipocar na quarta de manhã mais um daqueles sites com estatísticas e resultados curiosos que só os nichos do big data podem entregar a você, a Barack Obama, às grandes corporações, aos publicitários, pesquisadores, zumbis, gorilas. Trata-se do Selfiecity, que investiga o maravilhoso mundo dos autorretratos digitais compartilhados por internautas de Bangkok, Berlim, Moscou, Nova York e São Paulo.

Apresentados durante um evento voltado a storytelling, design e dados realizado no começo de fevereiro, os achados da pesquisa usaram métodos teóricos, artísticos e quantitativos próprios sobre uma espécie de demografia das selfies, com as poses e expressões das pessoas. E aí eles postaram uma série de gráficos e imageplots com 3.200 fotos representativas do estudo. (Tente se achar!)

Algumas obviedades: mulheres são mais exibidinhas. Em Moscou, a proporção de selfies femininas frente às masculinas é de 82% -- em São Paulo chega a 65%. A média de idade dos autorretratistas de todas as cidades é de 23,7 anos. Brasileiros e tailandeses são os mais sorridentes do mundo. E, por fim, a mulherada paulistana é campeã no quesito "fotos extremas", que deve equivaler, digamos, às mais "expressivas" do bloco.

Por fim, ensaios discutem as #selfies na história da fotografia, a função das imagens nas mídias sociais e mais um monte de coisas cabeçudinhas em que você não estava pensando quando fez aquele clique diante do espelho do banheiro da festa. Tem até um estudo feminista sobre o Selfiecity e outro sobre a "cultura masturbatória da auto-imagem". E, sim, o site foi apoiado por entidades relevantes como o California Institute For Telecommunication e a City University Of New York.

*Agradecimentos para o meu radar virtual Evan Fleischer, direto de Boston.