OPINIÃO
01/07/2014 15:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

3 perguntas para Pitty sobre "Setevidas"

Divulgação

Pitty dispensa apresentações. Há pouco mais de uma década desde o lançamento do bem-sucedido Admirável Chip Novo, em 2003, a cantora baiana se consolidou como líder de uma banda de rock que sempre soube dialogar com a plateia do seu tempo. No período em que o gênero esteve em baixa, ela também estava interessada em explorar outros caminhos, formando com seu amigo e guitarrista Martin Mendonça o duo de folk-indie "Agridoce" - projeto que levou muitos de seus fãs a temerem o fim da banda. E foi durante este período que Pitty passou por momentos difíceis. Um dos mais impactantes foi o suicídio do amigo de adolescência Peu Sousa, guitarrista com quem compôs "Equalize", um dos maiores hits da sua carreira. Ela também enfrentou um grave problema de saúde que chegou a deixar a cantora internada na UTI e um bom tempo sem subir aos palcos.

Pitty aproveitou o tempo em que ficou de molho para reunir forças enquanto esperava o momento certo para voltar mais confiante do que nunca. O resultado vem em forma de Setevidas, que acaba de ser lançado pela Deck, com produção de Rafael Ramos e mixagem de Tim Palmer e que traz o baixista Guilherme Almeida (ex-Pública) no lugar de Joe Gomes. Permeado pela iminência e inevitabilidade da morte, os obstáculos imprevisíveis da vida, a luta pela sobrevivência e a transformação, o álbum se estabelece como o mais interessante da banda, onde Pitty aparece como letrista mais reflexiva e inspirada, procurando evitar cair no clichê ao tratar de assuntos pessoais. Espécie de primo mais velho de Anacrônico (2005), a personagem que se apresenta em Setevidas é aquela que perdeu a ingenuidade da juventude ao enfrentar a vida e ainda que uma parte sua tenha morrido, a outra se renovou para ressurgir muito mais forte. Pitty respondeu a três perguntas sobre o disco, falando sobre a inspiração para compor cada faixa e ainda dizendo o que pensa a respeito da declarada "morte do rock".

Você fez uma pausa para trabalhar com o Agridoce e ainda passou por situações complicadas durante o hiato entre o Chiaroscuro (2009) e Setevidas - é possível perceber um tom mais sombrio nos temas abordados no disco novo. Pode contar um pouco sobre a concepção do álbum e as principais diferenças entre ele e os anteriores?

Acho que a diferença entre este e os anteriores é que, com o tempo, vai-se acumulando experiência e isso ajuda muito na hora de fazer um disco. É como se hoje a gente conseguisse chegar mais rapidamente num resultado que se imagina na cabeça em termos de sonoridade, e acho que isso faz parte do aprendizado mesmo. Óbvio que ainda tem muito pela frente e não acaba nunca, mas parece que a cada disco fica mais claro o caminho para se chegar no que se quer. A concepção dele foi sendo construída à medida em que se fazia; na verdade percebo mais o que é cada disco depois que ele está pronto. Na hora da "feitura" mesmo é mais subjetivo; sensações, intuição, experimentar coisas.

Hoje se fala bastante sobre a morte do rock e o jornalista André Forastieri comentou que não apenas o espírito provocativo se perdeu como no Brasil o rock é "comportado". Você também enxerga que o rock continua apenas para um nicho, tendo dificuldades para atingir um público maior?

Acho que não, mas enxergo fases. Mais popularidade, depois uma certa infantilização, depois menos popularidade e compromisso com demanda externa - o que considero ótimo porque aí o que manda é a vontade e a expressão, é feito pra ser dessa forma. Particularmente, estou numa fase bem otimista em relação ao rock. Pelas coisas que tenho visto, pelos discos que estão sendo lançados, pelas rádios desse segmento voltando a ativa. Acho que o rock não morre, ele se reinventa. Mas quando você se apega a velhos conceitos e estereótipos fica difícil enxergar isso.

O que Setevidas representa para você?

Um passo importante, uma realização pessoal e parte de uma busca que não tem fim.

Texto publicado originalmente na revista O Grito!

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