OPINIÃO
26/01/2015 15:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

O gregos assumiram a responsabilidade

A Grécia está passando por um terremoto político; uma histórica mudança de direção política que vai deixar marcar na memória coletiva e individual. É uma daquelas noites que todo mundo vai se lembrar onde estava; uma daquelas experiências raras que você vive uma vez na vida, se tiver sorte.

A Grécia está passando por um terremoto político; uma histórica mudança de direção política que vai deixar marcar na memória coletiva e individual. É uma daquelas noites que todo mundo vai se lembrar onde estava; uma daquelas experiências raras que você vive uma vez na vida, se tiver sorte. Em outras palavras, a noite de 25 de janeiro é um daqueles momentos em que o individual se entrelaça com o coletivo.

Estamos todos conscientes das razões pelas quais esse momento é tão importante na história moderna do país. Para entender as razões do colapso do governo de coalizão da Nova Democracia (ND) com os social-democratas do Pasok, precisamos observar a realidade social da Grécia: altas taxas de desemprego, dissolução dos sistemas educacional e de saúde, erradicação da classe média e completa ausência de qualquer tipo de reforma que possa estimular a economia.

Mas essas não são as únicas causas.

Existem outras, mais profundas, que não têm nada a ver com números. E, enquanto escrevo estas linhas, essas causas não foram estabilizadas. Essas causas profundas dizem respeito à necessidade de a sociedade não só virar uma página da história, mas de escrever um novo livro, um livro de sua própria autoria.

A oposição não fez promessas impossíveis nem disse que consertaria tudo. Ela não pediu um "cheque em branco", mas sim responsabilidade coletiva e individual. Ela pediu para olharmos adiante, desde uma nova perspectiva.

Precisamente neste fato reside a essência do terremoto político; o fato de que os cidadãos não apenas aprovaram uma nova direção, mas uma nova estrutura política. Ficou claro que os gregos rejeitaram não só as medidas de austeridade, mas também o sistema político paternalista, corrupto e malicioso dominado há quatro décadas pelos conservadores do ND e os socialistas do Pasok.

A participação, a voz do povo e seu envolvimento nos assuntos públicos é de extrema importância. A mudança drástica de hoje na Grécia pode ser vista amanhã na Europa. Como disse Martin Luther King Jr.: "nossas vidas começam a terminar no instante em que ficamos em silêncio sobre as coisas que importam". E, no dia 25 de janeiro, os gregos falaram.

Post publicado originalmente no HuffPost Grécia e traduzido para o português.

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