OPINIÃO
04/12/2015 20:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

O feminismo é assunto a toda hora, mesmo no meio da festa. E não é à toa

O Esquenta! deste domingo (6) está cheio de mulheres incríveis, danadas, vindas de várias regiões e que chegaram a lugares antes insuspeitos.

O Esquenta! deste domingo (6) está cheio de mulheres incríveis, danadas, vindas de várias regiões e que chegaram a lugares antes insuspeitos.

Não é à toa que quando o assunto é feminismo - mulheres buscando igualdade de direitos - infelizmente quase sempre vem atrelado o tema da violência contra a mulher.

- A cada 11 minutos, uma pessoa é estuprada no Brasil -

Esse assunto sempre se impôs, talvez porque trabalhamos há muitos anos em áreas tão escondidas, obscurecidas. Não só nas favelas e periferias das grandes cidades, como também no interior mais escondidinho do sertão.

Me lembro quando fomos gravar o primeiro Central da Periferia no Morro da Conceição, no Recife. Nossa intenção era apenas fazer um grande show e mostrar a força da cultura local que já arrastava multidões, mas naquela época era totalmente ausente na mídia oficial. Quando começamos nossa pesquisa, fomos logo atropelados pelos números absurdos, pelas estatísticas trágicas e pelas histórias terríveis que as mulheres nos contavam.

Então o programa que era para ser uma grande festa encerrou com depoimentos assustadores de muitas mulheres que tinham conseguido sobreviver e agora traziam uma solução linda, criativa e eficaz para outras que ainda estavam sofrendo.

- 13 mulheres são assassinadas por dia no País -

Foram as mulheres da ONG Cidadania Feminina que inventaram o Apitaço. E esse apito nunca mais saiu dos nossos ouvidos e dos nossos corações. Quase 10 anos depois é impressionante que o número de casos de violência contra a mulher ainda seja tão grande.

- O Brasil ocupa a 5º posição em um ranking global de assassinatos de mulheres. Essa taxa só é maior em El Salvador, na Colômbia, Guatemala e Rússia -

Eu sei que dá uma sensação de impotência e que mesmo indignada a gente pensa: "O que eu posso fazer?". Antes de tudo, se você está sofrendo, denuncie! Grite! Apite! Ligue 180! Mesmo que a violência não seja contra você.

Em briga de marido e mulher, SIM, temos que meter a colher. Em todos os casos de violência, além da dor e da depressão, a mulher tem tanta vergonha que não consegue entrar no assunto. Ainda mais quando isso acontece dentro de casa, dentro da própria família, ela não tem coragem de falar com alguém. Esse alguém pode ser você!

Ouviu gritos e choros na casa da vizinha? Chame a polícia! Se outra vizinha sempre tem o olhar muito baixo no elevador, quase sempre de óculos escuros, puxe conversa e tente entender. Ajude! Denuncie! Ligue 180! Se sua empregada sistematicamente diz que caiu no banheiro, que a van deu uma freada brusca, converse! Ajude! Grite! Apite! Ligue 180!

Pode ser a moça da padaria, a recepcionista da academia, aquela com um olhar tão triste que mesmo no meio da correria você reparou que ela atende o celular apavorada ou vai em um cantinho para ninguém ouvir e volta chorando. Converse! Ajude! Ligue 180!

Precisamos buscar com criatividade, ternura e sagacidade, encontrar meios de lutar contra essa força bruta. Vamos mudar esses números, porque só assim podemos chegar a uma IGUALDADE DE DIREITOS, celebrando nossas diferenças.

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