OPINIÃO
03/07/2014 15:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:24 -02

Dilma Rousseff e uma semana especialmente patriótica

A sensação que tenho é de que bateu uma onda nacionalista no país, com o Brasil classificado para as quartas de final. E, claro, a presidente Dilma Rousseff está aproveitando a semana para inaugurar obras, entregar casas e divulgar todos os símbolos nacionais.

Mal chegamos à metade da semana (comecei este post na quarta-feira) e algumas notícias chamaram muito a minha atenção. A sensação que tenho é de que bateu uma onda nacionalista no país, com o Brasil classificado para as quartas de final. Não foram só o Felipão e a equipe que saíram fortalecidos da partida contra o Chile. A pátria vestiu chuteiras novamente. Quem não estava acreditando muito na seleção até assoprou a vuvuzela. A Vila Madalena foi elevada ao status de nova Paulista (com muito mais gente gata e clima de paquera) e parece que chegou a hora de mostrar ao mundo como é bom o nosso país. As manchetes de "Estrangeiros elegem a Copa no Brasil a melhor de todas" não param de pipocar por aí e as pessoas parecem até ter esquecido dos outros problemas que tomam conta da nação. A PM usou bombas de efeito moral não para conter protestos violentos mas, sim, para dar um não muito simpático toque de recolher para os torcedores argentinos.

Mas quem parece estar bem feliz nestes dias é a presidente Dilma Rousseff, que está aproveitando a semana para inaugurar obras, entregar casas e divulgar todos os símbolos nacionais. Afinal, o sonho do #hexacampeonato e da #CopadasCopas correm o risco de acabar nesta sexta-feira e, a partir do sábado, os candidatos já não podem mais comparecer a inaugurações de obras públicas. Então, é melhor aproveitar o tempo que resta. Como já dizia o sábio comentarista Benjamim Wright: "O futebol é uma caixinha de surpresas". E nem sempre elas são agradáveis (#BatendoNaMadeiraTrêsVezes).

Nesta terça, Dilma Rousseff, logo cedinho, mostrou que tem samba no pé. Ao viajar para o Rio para inaugurar um trecho do anel rodoviário Arco Metropolitano, Dilma chacoalhou (literalmente) com duas escolas de samba: Beija-Flor e Grande Rio. Posou para fotos patrioticamente segurando a bandeira nacional, brincou com integrantes da bateria (todos mais elegantes do que ela, monocromáticos, de preto), sorriu e desfilou no viaduto com a energia de uma rainha de bateria.

No mesmo dia, já de volta à Brasília, durante a cerimônia de inauguração do programa Brasil de Todas as Telas, a presidente quebrou o protocolo, deixou o vice Michel Temer de lado, e tietou o ator Cauã Reymond: "Primeiro, eu queria cumprimentar aqui o Cauã Reymond, que está apresentando essa cerimônia. Obrigada, Cauã. Não é todo dia que a gente tem um Cauã aqui no Palácio do Planalto". Elevado ao status de monumento nacional por suas belezas naturais e por tanta rasgação de seda, Cauã bateu uma foto com a presidente, que foi parar no Instagram. Dela. No dele, imagens davam destaque ao impecável terno Armani cinza.

Já nesta quarta, a conta no Twitter do Portal Brasil, que reúne e divulga conteúdos de diversos órgãos do governo federal, anunciou que a cachaça é nossa. Diz o texto: "Projeto destaca Cachaça como ícone da cultura brasileira @CulturaGovBr". Legal, bacana. Ué, mas a lei que reconhece a bebida como patrimônio histórico e cultural não é de 2009? E já não havia sido combinado com os americanos, em 2012, de que a cachaça era nossa e o bourbon e o whisky do Tennessee eram deles? As garrafas vão ganhar um selinho, é isso? Clico no link. Não, parece que vão fazer um mapa. Mapa? Confuso. Assisto ao vídeo. O Mapa da Cachaça é um site e está acontecendo agora o lançamento dele e de eventos que já existem desde 2010, é isso mesmo? Não, não é isso ainda. Entro no site, navego em duas páginas, acho a resposta: o Ministério da Cultura escolheu o site como representante da gastronomia brasileira durante a Copa do Mundo. Vão realizar eventos, publicar receitas, gravar vídeos... Entendi.

No fim, em menos de uma semana todos os estereótipos estão aí de volta: o Brasil voltou a ser o país do futebol (#VaiNeymar, #DavidLuizMinhaMãeTeAdora), do samba, da cachaça (desde que consumida com moderação) e, agora, do homem bonito. Só resta saber quem é a mulher que vai nos representar nessa nova fase do Brasil que está voltando a ser maravilha. Afinal, este é tradicionalmente o país das mais lindas mulheres do mundo. Fernanda Lima foi a musa do sorteio. Claudia Leitte roubou a cena na cerimônia de abertura, poderosa num body incrível de paetês azuis. Ivete Sangalo, será você a estrela do encerramento? Ou a representante máxima da mulher brasileira será a colombiana Shakira? Que medo desse jogo #BRAvsCOL!

Agora, o Brasil ganhando ou perdendo (#BatendoNaMadeiraTrêsVezes), ficarei de olho nos próximos capítulos dessa novela política. Para quem começou a Copa vaiada, receber uns gritinhos mais simpáticos ("Olé, olé! Dilma, Dilma!"), num jogo da Argentina, está muito bom, não é? Dá até para começar a especular se vamos ter a presidente entregando a taça aos campeões e se será com ou sem vaias. Por enquanto, acho melhor segurar a minha expectativa sobre a final e apenas aguardar a notícia de onde ela vai assistir à partida desta sexta e com que roupa vai (até agora, a Copa foi um desastre "figurinístico").

Será que ela vai repetir seus modelitos verdes com o colarzinho da bandeira nacional? Será que vai arriscar a ida à Arena Castelão ou vai preferir reunir o staff presidencial no Planalto (os trinta e nove ministros já renderiam uma festinha animada) e imitar o presidente Barack Obama, que entoou gritos de "Go for it!", uma espécie de "Vamo lá!" americano, no jogo que eliminou os Estados Unidos da Copa. Particularmente, estou quase apostando que ela vai ser flagrada puxando uma ola. A foto e o vídeo ficam mais bonitos porque têm movimento e geram mais compartilhamentos nas redes sociais. Será que ela se anima? #GoForIt

P.S. A quem interessar possa: o volume de água da Cantareira continua baixo e não há previsão de chuva pelo menos até segunda-feira.

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