OPINIÃO
26/10/2014 17:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Debate da Globo: o último round das Eleições 2014

Os candidatos se preparam durante o dia e colocaram seus calções. O juiz era o calmo William Bonner. Este era o último debate do segundo turno. O último round desta luta sangrenta e suja que se tornou o pleito de 2014.

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Seriam quase duas horas em pé. Os temas seriam os mesmos: educação, saúde, mensalão, corrupção, segurança pública... E não teria sequer a animada presença de Eduardo Jorge, o rei da zoeira destas eleições. É, pensando bem, o debate da Globo desta sexta-feira (24) tinha tudo para ser mais do mesmo, mesmo com a tensão pairando no ar.

Os candidatos se preparam durante o dia e colocaram seus calções. O juiz era o calmo William Bonner. Este era o último debate do segundo turno. O último round desta luta sangrenta e suja que se tornou o pleito de 2014.

Acompanhada de seu fiel escudeiro, o hair stylist Celso Kamura, Dilma Rousseff entrou no corner direito com um de seus habituais blazeres vermelhos e calça preta, com sapatinhos de salto baixo. Nem preciso dizer que a maquiagem suave e o cabelo com luzes da petista estavam impecáveis.

Aécio Neves também se repetiu: caminhou para o corner esquerdo, vestindo terno marinho, gravata azul e sapatos pretos engraxadíssimos (que chegou a receber elogios no Twitter). Look mais tucano, impossível. Uma mudança nos cabelos foi notada pela turma das redes sociais: com as madeixas mais curtas nas laterais, o homem do PSDB parecia envelhecido, com cabelos mais grisalhos.

Agora, se os figurinos não apresentaram inovações dignas dos desfiles de alta costura de Paris, em termos de linguagem corporal, o debate foi um show. A falta de pausa nas perguntas de candidato para candidato foi bem dura para os dois primeiros colocados do primeiro turno. Não houve tempo para recuperar o fôlego. Para o público, foi tão eletrizante como ver Mike Tyson no ringue.

Tal qual numa luta de boxe, as mudanças na posição dos pezinhos e os gestos durante respostas, réplicas e tréplicas deram valiosas dicas sobre o que se passava na cabeça dos presidenciáveis. O nível de relaxamento ou de nervosismo, o tamanho dos ataques, as posições defensivas, a impaciência, o deboche e até a ironia ficavam muito claros quando as câmeras abriam e mostravam os dois de corpo inteiro. Foi até possível perceber os golpes mais duros.

Agora, todo o preparo da dupla parece ter ido embora durante o segundo e quarto blocos, quando responderam perguntas dos indecisos. Ao conversar apenas com um eleitor, se posicionando de costas para os outros, e permanecendo parados praticamente na mesma posição, os candidatos acabaram passando a imagem de que estavam "ignorando" os anseios do restante do público.

Para quem assistiu ao debate pela televisão, essa sensação não foi tão ruim, graças à quantidade de câmeras no estúdio. Mas, para a plateia, pode ter sido bastante desagradável. Nessa hora, os candidatos também adotaram posturas vocais que variaram do didático ao professoral. Se bem que, pelas feições dos selecionados pelo programa, ninguém entendeu nada das respostas, mesmo com a mudança de voz para tons mais afáveis. Os socos e diretos sumiram. Faltou ritmo, faltou empolgação. Faltou até resposta. Deu sono.

Talvez tenha faltado também se movimentar pelo palco, fazer aquela dancinha dos políticos americanos, que participam de debates como este o tempo todo. Seria uma movimentação praticamente igual a uma luta de boxe em câmera lenta, mas sem jabs e uppercuts (físicos, pelo menos). Os passos, quase de uma valsa entre cavalheiros, daria dinamismo e isso acaba contagiando a plateia. Os câmeras ficariam loucos tentando acompanhar. Mas, na pior das hipóteses, quando o conteúdo ficasse chato, os espectadores tentariam adivinhar para onde o político iria caminhar e não dormiriam no sofá. Ah, isso seria muito interessante.

Será que, nas próximas eleições, os candidatos vão se lembrar de tudo isso? Vão assistir Rocky de 1 a 6, pular uma cordinha, ensaiar melhor o um-pra-lá, dois-pra-cá, e nos proporcionar um embate emocionante, com luta limpa e conteúdo, em debates e sabatinas, do começo ao fim da campanha? I wish...

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