OPINIÃO
12/10/2015 22:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Realidade paralela: 'Dilma não mentiu... Ela mudou de estratégia'

Montagem/Estadão Conteúdo

"Estadão: Dilma está fazendo o contrário do que prometeu na campanha. Ela mentiu?

Marcio Pochmann: Não. Ela mudou a estratégia."

Eis o cúmulo do duplipensar petista e a realidade paralela onde vivem.

É acima de tudo uma frase e um raciocínio (sic) dignos de ‪#‎Eduguim‬. É impressionante. Se até o Pochmann, um intelectual reconhecido, sucumbiu de vez, é porque está morta qualquer forma de vida inteligente no PT. O partido terá de se contentar com Sibás Machados e outras figuras duvidosas - para dizer o mínimo -, porque a debandada do partido já começou.

A culpa pela crise é do caseiro, é da oposição (o que ele chama de oposição? Cunha é ou deveria ser governo, é PMDB. A maior oposição que o PT enfrenta é da própria base.), mas do PT? Não.

É fato recorrente a recusa de membros do PT reconhecerem seus erros e de seu partido sem antes acrescentar um imenso "mas" a título de justificação. "Nós erramos aqui, MAS é porque....". Nunca há um erro, há sempre um erro induzido, forçado, algo que justifique ou suavize.

E Pochmann ainda legitima a corrupção, mensalão e caixa 2 sem qualquer vergonha. O problema? É que o PT é pego. Adotou a máxima: O problema não é roubar, é ser pego roubando. ACM sentiria orgulho e Maluf, sem dúvida, logo renovará sua aliança.

"O PT aprendeu a ganhar a eleição. Aprendeu a capturar recursos financeiros como outros partidos - da mesma maneira."

Agora notem esta reportagem da Piauí, escrita por Consuelo Dieguez e intitulada "O Ralo", que deixa ainda mais clara as razões para a crise, para as mentiras, ops, mudanças de estratégia da Dilma e para termos chegado na situação atual de país na penúria com a "necessidade" de ajustes que visam prejudicar unicamente os mais pobres sem, no entanto, mexer com os do andar de cima.

"Numa guinada na política de financiamento mantida até então, as operações do BNDES foram infladas num nível jamais visto em toda a história da instituição. Isso foi feito graças a um astronômico repasse de recursos do Tesouro para o banco. Entre 2008 a 2014, o governo emprestou 450 bilhões de reais ao BNDES para estimular o crescimento da economia, especialmente nos setores de petróleo, energia e infraestrutura. O problema é que toda essa dinheirama não estava prevista no orçamento da União. Isto é, os recursos repassados ao banco não eram obtidos por meio do aumento da arrecadação fiscal, e sim pelo endividamento público.

A estratégia era a seguinte: o Tesouro emitia títulos da dívida pública pagando juros de até 14,5% ao ano. Os reais obtidos com a venda desses papéis eram transferidos ao banco, que os emprestaria às empresas a juros subsidiados de até 3% ano. O resultado dessa política foi um aumento de quase meio trilhão de reais na dívida pública, que hoje chega a 3,2 trilhões."

O governo emprestou, pagando 14,5% de juros, 450 BILHÕES à empresas para que estas pagassem de volta com 3% de juros. O governo subsidiou (ou seja, bancou) 11,5% dos juros da grana emprestada com a desculpa de criar empregos e de "desenvolver" o país - às custas de indígenas, meio ambiente, direitos humanos...

E quem paga a conta de quase meio trilhão de reais (até aqui)?

Nós. E estamos pagando. E os empregos gerados à partir dessa bandalheira? O professor Idelber Avelar responde:

"Tudo isso para que grandes capitalistas pudessem explorar mão-de-obra semi-escrava no negócio da cana ou contribuir para a destruição do planeta na exploração de combustíveis fósseis ou construir elefantes brancos para a prática do futebol em potências futebolísticas como Brasília e Manaus."

E esses empregos estão acabando. Como mostra reportagem da Folha:

Segundo dados do IBGE, o número de trabalhadores domésticos cresceu em 62 mil no trimestre encerrado em julho, para 6,05 milhões. É o maior patamar desde o trimestre terminado em maio de 2013 (6,06 milhões).

"Desde 2014 percebemos crescimento do emprego doméstico. Mulheres que teriam escapado da profissão estão buscando trabalho na área por falta de alternativa melhor", disse Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento no IBGE.

[...]

Nos últimos 12 meses até agosto, o Brasil perdeu quase 1 milhão de empregos com carteira assinada. Cristiane engrossou a estatística em março passado, quando o Inhaúma foi afetado pela crise da Petrobras. O Mauá, seu primeiro empregador, fecharia as portas em julho, com as encomendas de navios afetadas pela crise e pelo petrolão.

Em resumo, quem antes tinha emprego agora tem que buscar alternativas, milhares de mulheres voltaram ao serviço doméstico, à faxina. Os empregos gerados com o endividamento monstruoso do país estão acabando, e quem vai pagar a conta? O pobre desempregado (muitos SEM direito ao seguro-desemprego, porque Dilma cortou esse direito para muitos), o pobre que achou um empreguinho aqui e ali pra se manter, e todos nós com um aumento brutal de impostos sobre serviços básicos.

Já não há mais balança, não existe, o PT destruiu completamente. Mas a culpa por ter mentido em campanha e adotado o programa - piorado - do PSDB? Pochmann explicou: Do caseiro, da oposição (Cunha, PMDB, Base Aliada, ou seja, não é "oposição" em si, mas gente que o PT ajudou a eleger).

MAIS POLíTICA NO BRASIL POST:

O PT 'nas mãos' do PMDB em 2015

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: