OPINIÃO
16/03/2016 16:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Lula não tem mais seus 'poderes mágicos' para salvar o Brasil

Lula, ao virar ministro, aplica golpe branco do próprio PT após o outro golpe dado por Dilma Rousseff ao se eleger via estelionato eleitoral. Golpe branco, já que ele será presidente e Dilma só o poste que foi criada pra ser - mas ela que foi eleita. Não é preciso ir muito longe pra entender que há completa concordância entre analistas de todos os espectros políticos de que Lula num ministério chega próximo (ou mesmo equivale) a um Lula presidente.

REUTERS/PAULO WHITAKER

Ao assumir o Ministério da Casa Civil, Lula comete não apenas um erro gigantesco, mas também aplica uma espécie de "autogolpe".

Lula, ao virar ministro, aplica um "golpe branco" do próprio PT após o outro golpe dado por Dilma Rousseff ao se eleger via estelionato eleitoral.

Este golpe considerado "branco", já que ele será presidente e Dilma só o poste decorativo que foi criada pra ser.

Não é preciso ir muito longe pra entender que há completa concordância entre analistas de todos os espectros políticos de que Lula num ministério chega próximo (ou mesmo equivale) a um Lula presidente.

A alegria desmedida de governistas de todo tipo com a chegada do "salvador" ou do "messias" - ou do "Ministro da Esperança", como apelidado por Rui Falcão, presidente do PT, deixa claro o que pensam.

Mas o pior de tudo é a mensagem que o partido acaba por passar ao País.

"Iremos defender um camarada da possibilidade de ir para a cadeia e responder por um processo colocando-o no controle do governo (virtual e efetivo). E não nos importamos com o que mais ninguém pensa."

A militância petista passou anos gritando "é golpe!" contra absolutamente tudo. Qualquer crítica mais dura ao governo era interpretada como uma tentativa de derrubá-lo.

A inconstância dos aliados fisiológicos ajudava a manter este clima de pânico (ao menos para o público externo), assim como a constante debandada de apoiadores do governo a cada nova política, lei ou medida que atentavam contra a própria história do partido e da esquerda em geral.

Agora, porém, estamos diante finalmente do tão falado golpe. E ele foi dado pelo próprio PT para dar início - precoce - ao terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Claro que um ministério não é garantia de que Lula se livrará das investigações e processos, já que o STF se mostrou capaz e com vontade de seguir adiante. Porém é uma tática de protelação e mesmo uma jogada (pífia?) de marketing.

Lula possui ainda imenso trânsito e reputação entre os mais pobres, grupo que Dilma e o PT precisam desesperadamente reconquistar - especialmente depois das imensas manifestações que tomaram conta do País no último dia 13 e cujos presentes eram majoritariamente de classe média e alta - e esta é a principal esperança. Um processo contra Dilma por obstrução de justiça, neste momento, é a menor das preocupações para o PT.

Vale lembrar que o protesto do dia 13 foi em grande parte de revolta contra tudo e todos. Foi extremamente despolitizado, com grupos às margens. Tinha gente de esquerda, monarquista, fascista, pró-milicos, enfim, de tudo - mas tinha uma nova direita forte.

Além disso a possível entrada de Aécio Neves na Lava Jato jogaria uma pá de cal no principal (senão único) argumento dos petistas de que Moro seria parcial e estaria "perseguindo" apenas a um partido (o que já não era realidade antes, mas agora a o discurso tornou-se definitivamente inaceitável). Cria-se uma certa blindagem no Lula com a esperança de, assim, animar a militância que ainda resta e buscar alguns pontos de aprovação entre os mais pobres.

A jogada, porém, é uma sucessão de erros e decisões desesperadas. A economia vai mal e Lula não tem mais seus poderes mágicos de acalmar o mercado (pelo contrário), e terá tarefa complicada junto ao Congresso.

No curto prazo livram o Lula, mas no longo prazo podem ter implodido de vez qualquer chance do PT buscar elegê-lo em 2018. Tal jogada pode até mesmo abreviar o governo via impeachment dada a desfaçatez.

E, como comentei, não acho que um possível processo contra Dilma por obstrução de justiça faça muita diferença ou mesmo chegue a tempo para prejudicá-la.

A questão é política.

O costume é demitir ou pedir para que se demita o acusado de crimes, mas o PT faz o contrário ao dar uma espécie de imunidade a quem está com a corda no pescoço. Não é atitude nobre, é acobertamento mesmo. Salvam a seu líder e tentam salvar a si próprios.

Mas seja em 2018, seja antes, a imunidade acaba (junto com o governo e o poder).

Como disse o jornalista Clóvis Rossi, o governo Dilma acabou:

Se a nomeação de Lula é a última carta do governo Dilma, a saída dele (ou por decisão judicial ou pelo fracasso de seus planos) significará, obviamente, o fim do jogo.

De uma forma ou de outra, acabou o governo Dilma. Agora, para o bem ou para o mal, é o governo Lula-3.

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