OPINIÃO
29/09/2014 07:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Enfrentar é preciso

PeterHermesFurian via Getty Images

Com lâmpadas fluorescentes e bilhetes deixados na boca de cadáveres, homofóbicos enfrentam com brutalidade a afirmação do direito à existência de gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. Enfrentam. Foi essa a palavra, enfrentamento, utilizada ontem pelo presidenciável Levy Fidélix; do nanico PRTB, para convocar a maioria à perseguição contra a minoria já diariamente vilipendiada.

O tecido linguístico é uma trama de nós emaranhados. Ao desfazê-los, revelamos a intencionalidade do sujeito. Não foi por acaso que Levy Fidélix usou a palavra "enfrentar". Ao proferi-la, acenou para os autores de crimes de ódio que acontecem a cada 28 horas: o assassinato de membros da comunidade LGBT exclusivamente por razões associadas à identidade de gênero.

Com o discurso raivoso e intolerante de ontem, Fidélix passa a figurar - juntamente como Malafaia, Feliciano e outros - no panteão dos co-autores. Os que não puxam o gatilho, mas deixam o tambor cheio de munição para que estes assassinatos ocorram. Como cupins, os políticos que perseguem grupos e minorias consomem nossa liberdade. E, muito embora pareçam à uma distância segura, são os nomes por trás das agressões cotidianas, com sua colonização de mentes e suas narrativas tacanhas da realidade. As câmaras municipais estão cheias de Levys. O enfrentamento proposto por ele prolifera nas igrejas que postulam o ódio em lugar do amor. Os pastores oferecem seus rebanhos como aluguel. Nas assembléias legislativas, homens engravatados e machistas asseguram a naturalidade do debate sobre a limitação de direitos. No Congresso, 75 membros da Frente Parlamentar Evangélica atentam diariamente contra a democracia e a laicidade do Estado. Com todo esse aparato, enfrentam.

No discurso de ontem, Fidélix cruzou o mero exercício de manifestação de pensamento e fez uma convocatória. Ao usar o verbo enfrentar, propôs o alijamento de uma população inteira e incitou a violência. O diálogo é sempre a melhor saída, mas o discurso do candidato ontem não deixa espaço para ele. Pede enfrentamento.

Para o líder de uma legenda de aluguel como o PRTB, a demarcação de território é clara. A homofobia de Levy Fidelix o alça a um patamar que jamais seria possível de outra maneira. Seu tempo, diante dos demais candidatos, foi multiplicado. O discurso do ódio e seu sujeito cheio de más intenções tornaram-se protagonistas. Junto com o saldo de votos conquistados, Fidélix ganhou também centenas de queixas-crime. Réu incorrigível, o candidato deve ter com o que se preocupar nos próximos dias. Mesmo antes do dia de hoje clarear, a movimentação no site do Ministério Público Federal e as articulações por denúncias formais contra ele já mobilizavam as redes sociais. Se é enfrentamento o que ele procura, terá. Não com lâmpadas e cadáveres, mas com indignação e ação legítima. Tenhamos força. Pelo Brasil e por cada um de nós.

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