OPINIÃO
16/12/2018 00:00 -02 | Atualizado 16/12/2018 00:00 -02

Gal Costa e 'A Pele do Futuro': Um show que vai da sofrência ao êxtase

Set list do novo espetáculo de Gal Costa combina sucesso de diferentes épocas, mas resultado é sequência musical irretocável aos ouvidos do público.

Divulgação/Teca Lamboglia
Gal veste a pele do futuro e interpreta canções do presente e do passado.

O nome dela todo mundo sabe. Porém, o que nem todo mundo já sabe é que o novo show de Gal arrepia completamente a nossa epiderme. Tanto dos fãs mais jovens quanto dos que acompanham a carreira dela desde o início.

Quem lança um olhar rápido para o set list pode até pensar que a mistura de gêneros, compositores e fases da carreira da Gal deixa o repertório embaraçado. Mas acredite, o resultado é uma sequência musical irretocável aos ouvidos do público.

Exceto para o "quase-perfeccionista" Marcus Preto, diretor geral do show.

"Acho que ficou bom. Deu certo", avalia Preto. Ele se refere à apresentação feita no primeiro dia de dezembro, no palco do Tom Brasil. "Faremos pequenos ajustes porque o show do Rio será nossa referência para a gravação do DVD", informa. Mas ele sabe bem que pode descansar tranquilamente a sua cútis. "A estreia em São Paulo teve uma repercussão maravilhosa de público e crítica".

Você imagina a responsabilidade que é fazer jus aos 53 anos de carreira de um nome como o de Gal?

"Ela ficou feliz. Isso é o mais importante", Preto respira aliviado, junto com sua super equipe. A direção musical é de Pupillo, que está na bateria ao lado dos músicos Chicão (teclado), Lucas Martins (baixo) e Hugo Hori (sax e flauta) e Pedro Sá, que arranha voluptuosamente com suas guitarras.

Teca Lamboglia
Gal Costa e aquela banda que você respeita

Dermatologicamente testado

Preto trabalha com Gal há mais de cinco anos. Já produziu com ela projetos muito diferentes entre si, como novos álbuns, parcerias com Gilberto Gil e Nando Reis e homenagem a Lupicínio Rodrigues. Conta que foi o show Espelho D'Água que o promoveu à direção de shows.

"Eu já estava por ali produzindo os álbuns e Gal me chamou para os shows", relembra. E desabafa sobre o desafio de desenhar a apresentação de A Pele do Futuro. "Há uma comoção nas redes sociais porque as pessoas querem ouvir todas as músicas do disco no palco."

Ele conta que tinha de atender a um pedido de Gal para que o show "atravessasse momentos da carreira dela" e que sua estratégia era reunir canções que se relacionassem com o "espírito do álbum" e um fator surpresa. "Pra mim, um bom show tem que ter músicas que ninguém espera."

Quanto a isso, não há dúvidas, a fórmula funcionou. A abertura ficou a cargo de Dê um Rolê, hit da Tropicália. London London é aquele momento político. O êxtase vem com Vaca Profana e Chuva de Prata. Vai-se à sofrência com Cuidando de Longe, que tem Marília Mendonça entre os compositores. Djavan, Roberto Carlos e Erasmo Carlos dão uma turbinada no romantismo.

Teca Lamboglia
Público lota Tom Brasil, em São Paulo, para a estreia da turnê de "A Pele do Futuro"

À flor da pele

A surpresa inegável e arrebatadora foi a interpretação de O Que é Que Há, de Fábio Jr. e Sérgio Sá. O público paulistano foi ao delírio. Aplaudiu de pé em cena aberta. Ainda conseguiram saudar a Bahia de Caymmi e incluir umas dançantes do tempo das discotecas.

Se o coração já saltava pela boca e a pele ardia febril, ninguém esperava mesmo o que estava guardado para o bis. Gal - nada mais nada menos - transforma tudo em um bloco de Carnaval. O frevo contagia e a volta para casa é no ritmo do Balancê.

Depois do Rio, a turnê vai a Portugal. Uma pausa para férias de Gal. A partir de fevereiro, as apresentações vão ter vez em Salvador. No roteiro, tem Belo Horizonte, retorno a São Paulo, entre outras cidades. "Vamos rodar do Nordeste ao Sul", avisa Preto. "A internacional será menor porque Gal quer que o show circule bastante pelo Brasil."

E, no meio do caminho, tem um DVD. "Recebemos grande apoio da Biscoito Fino que está junto conosco nesta. Acredito que ainda no primeiro semestre seja lançado."

Aos 73 anos, Gal mostra que a pele do futuro é uma rara e delicada costura que se faz com a pele do presente e a pele do passado.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.