OPINIÃO
19/02/2014 12:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

5 previsões (e um sonho) de futuro segundo 'Ela'

Spike Jonze tenta prever o que será da humanidade daqui a 15 ou quem sabe 27 anos (pelo menos em sua criativa visão). E nem tudo será melhor, como atesta o figurino do personagem principal...

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Em "Ela", o novo filme do inventivo cineasta Spike Jonze, Theodore (interpretado por Joaquin Phoenix) vaga por uma Los Angeles de um futuro não muito distante. Não há nenhuma menção durante os 126 minutos de exibição sobre o ano em que se passa a história, mas, a partir do roteiro de Jonze, é possível tirar algumas conclusões sobre o que será da humanidade daqui a 15 ou quem sabe 27 anos (pelo menos em sua criativa visão). E nem tudo será melhor, como atesta o figurino do personagem principal.

1 - Ainda poderemos nos deleitar com as delícias da "culinária fusion".

Em uma das cenas do filme, Theodore tem um encontro com uma atraente mulher (papel de Olivia Wilde) em um restaurante da moda de Los Angeles. Ao final do jantar, satisfeita, ela pergunta se ele também não adora a culinária fusion asiática. O remix de temperos e ingredientes asiáticos com técnicas francesas, receitas italianas, ou o que seja, não parece descabido para o futuro próximo. Há uma série de chefs em atividade (inclusive em Los Angeles, cidade onde se passa a trama) dispostos a unir Ocidente e Oriente em seus pratos. Enquanto grandes companhias já desenvolvem supervegetais com tecnologias genéticas e startups trabalham para substituir nossas refeições por alimentos criados em laboratório, no futuro de Jonze é o flerte com os sabores orientais, que já estiveram em voga na gastronomia moderna (desde os anos 80), que deve estar presente nas mesas daqui a alguns anos.

2 - Seremos todos hipsters usando calça "santropeito".

Não conheço nada sobre as tendências fashionistas e até quantos anos à frente os estilistas são capazes de enxergar, mas no filme de Spike Jonze TODOS os homens usam calças a pelo menos um palmo acima do umbigo. No filme também, todos os personagens tem um "quê" hipster, com camisas xadrez e roupas minimalistas de cores que vão dos tons pastel a vibrantes. Só espero sinceramente que a moda da calça de cintura alta para os homens não pegue. A não ser, claro, que ela tenha uma função prática sobre a nossa barriguinha de cerveja.

3 - Mandaremos mais cartas de amor.

Theodore é um ex-jornalista que ganha a vida escrevendo cartas de amor, seja para homens e mulheres apaixonados (ou que se dizem ser), seja para familiares distantes (e a distância, aqui, nem sempre é geográfica). Os textos personalizados para cada pessoa que saem de sua cabeça são ditados a um computador que monta e imprime tudo em letras manuscritas, como um resgate dos tempos em que as palavras eram ditas na ponta da caneta. Nem tudo no futuro de Jonze é tech. Há espaço para o saudosismo e para a representação do amor, por que não?

4 - Vamos aposentar nossos carros.

Na cidade proposta por "Ela", as pessoas andam a pé ou utilizam transportes públicos, cujas estações parecem ter sido inspiradas nas novas cidades asiáticas, iluminadas e modernas. Em nenhum momento algum dos personagens dirige. Há uma cena em que Theodore acompanha uma possível amante ao que parece ser um táxi, mas em todas as outras não há automóveis ou motocicletas perambulando nas ruas. Nem, tampouco, voando pelos ares.

5 - O futuro é vermelho.

É impressionante como a cor é tão presente em "Ela": das camisas e casacos de Theodore à identidade visual da companhia que fabrica o sistema operacional que ele adquire para se sentir menos solitário. Há uma "onda vermelha" que domina todos os frames do filme. Se eu pudesse apostar em uma cor para o futuro depois do filme, eu nem esperaria as pesquisas da Pantone.

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6 - Você terá uma Scarlett Johansson para chamar de sua.

Ter um caso com a Scarlett Johansson vai ser uma possibilidade real. Quer dizer, virtual. Quer dizer, irreal... Enfim, consumações a parte, ter a voz rouca e sexy de Scarlett te acordando no meio da noite já é algo para sonhar com o futuro, né?